Para se ter uma razão de existir, é necessário que uma história tenha um conflito e que este seja relevante de tal forma a mudar não só o destino dos personagens, mas principalmente a percepção do espectador durante esse trajeto. “A Busca” não tem nada disso. Tem no máximo, um Wagner Moura comprometido e só.
Na trama, ele é Theo que se separa da esposa Branca (Mariana Lima) e fica na fossa. O filho deles, Pedro (Bras Antunes) foge de casa com um cavalo (isso mesmo) e daí cabe a Theo percorrer as estradas para encontra-lo.
Travestido de um road movie de auto conhecimento, não é uma coisa nem outra. Repleto de paisagens pobres, com fotografia mais pobre ainda, os eventos que se passam com Théo são tão pueris que em nada agregam sua personalidade e nada aprende. O diretor enrola em várias cenas, como se tivesse a obrigação de fazer um filme mais longo (e olha que ele só tem 96 minutos) e ainda mistura um certo humor descabido, que é a única parte em que o público consegue se identificar, o que não deveria acontecer.
A tensão do sumiço do garoto nunca aparece mais do que superficial, o destino dele é descoberto facilmente e o roteiro simplesmente não responde a questão principal do filme sobre o trauma que Théo tem com seu pai que, ao fim e ao cabo, é a força motriz de todo o conflito.
O diretor Luciano Moura (“Antônia”) inicia a projeção com uma pegadinha temporal que mais tarde se mostra irrelevante e desnecessária e parece não entender o gênero em que está filmando. Só Wagner Moura que consegue, como bom ator que é, incorporar seriedade e humor sem descambar pro absurdo, mas ainda fica muito longe de salvar o resultado.
“A Busca” é uma perda de tempo e daqueles filmes nacionais que se vendem como inteligentes e emocionantes para cinéfilos descolados, mas que na verdade vem com conteúdo zero e emoção mais que superficial. Um engodo.
Ficha Técnica
Elenco:
Wagner Moura
Lima Duarte
Mariana Lima
Brás Antunes
Direção:
Luciano Moura
Produção:
Andrea Barata Ribeiro
Bel Berlinck
Fotografia:
Adrian Teijido