Sem dúvida essa é a melhor adaptação há anos luz dos desastres de 1994 com o Jean Claude Van Damme e de 2009 que é melhor nem lembrar. Não quer dizer entretanto que seja um ótimo filme, mas pavimenta um bom caminho. Acerta na abordagem e nas referências culturais, mas escorrega com um roteiro meio bagunçado.
O cerne está nos amigos / irmãos Ken (Noah Centineo de “Tempos de Guerra” e Ryu (Andrew Koji de “Contra o Mundo”) que foram separados por causa de um grande atrito envolvendo um inimigo sobrenatural e, anos depois, precisam se juntar para vencer a competição Street Fighter promovida pelo grande vilão do game, Mr. Bison (David Dastmalchian de “O Mostro do Meu Quarto”).
Ele quer a tal energia sobrenatural que pode estar no vencedor da luta, enquanto uma força policial se mobiliza para prendê-lo e é liderada pela agente infiltrada Chun-Li (Callina Liang de “Presença”).
Se você leu até aqui, percebeu que a história parece misturar várias subtramas diferentes. É assim mesmo, e nem citei ainda os inúmeros personagens / jogadores / lutadores que aparecem do game que aparecem no filme.
Nessa mistureba, o senso de humor é ótimo – não deixa de ser uma comédia de ação – e as referências ao jogo não poderiam ser melhores: além da ótima caracterização dos personagens com figurino, penteado e afins, ainda há cenas memoráveis como a famosa luta com o carro onde Ken quebra o automóvel todinho tal qual no fliperama, além dos indefectíveis golpes muito bem feitos para lembrar o jogo (e cada personagem tem seu portfólio de golpes).
A trilha sonora é uma atração a parte com vários hits dos anos 90 como a icônica e principal música do filme “What’s Up” de 4 Non Blondes, além de “Bitch” de Meredith Brooks, entre outras.
O elenco na sua maioria cria um bom timing cômico, o que talvez seja a base para ofuscar um pouco a falta de execução na hora de contar a história. Sim, porque tem dois vilões aparentemente desconexos e pelo menos umas três subtramas competindo para ver qual se destaca mais. Tanto que há uma excelente plot twist no final, mas que passa quase despercebido por causa de tanto ruído narrativo.
O desfecho não tem vergonha alguma de deixar a porta para a continuação escancarada e sequer fecha o arco de história.
“Street Fighter” já chega para ser a nova franquia de ação de Hollywood com os dois pés, caprichando na nostalgia sem perder o timing atual, ao passo em que se embanana no emaranhado de tramas, esperando organizar tudo na continuação. Veremos.
Curiosidades:
- O cenário do filme de 1993 é o ano em que Super Street Fighter II (1993) foi lançado para fliperamas.
- Noah Centineo revelou que ele, Andrew Koji e Callina Liang treinaram juntos todos os dias, seis dias por semana, durante seis semanas seguidas para o lado físico.
- A atriz Callina Liang já tem experiência em artes marciais.
- Poucos sabem, mas os nomes de alguns personagens do jogo e filme fora do Japão são trocados: Balrog no Japão é Mister Bison; Mister Bison no Japão é Vega; Inclusive o motivo pelo trocaram o nome do Mister Bison de personagem é porque ele seria o lutador com o nome de M. Bison que na pronúncia se parecia com o campeão Mike Tyson. Para não haver problemas de direitos autorais, trocaram o nome do personagem.
- Quando Ryu é preso por Bison, seu kimono laranja de prisioneiro carrega o kanji do número 87. O jogo Street Fighter original foi lançado em 1987.
- O cantoramericana Orville Peck interpreta Vega, que nos videogames é espanhol. Ela nunca tira a máscara no filme e na vida artística também usa máscara..
Ficha Técnica:
Elenco:
Noah Centineo
Andrew Koji
Callina Liang
David Dastmalchian
Andrew Schulz
Joe Anoa’i
Cody Rhodes
Jason Momoa
Eric André
50 Cent
Ma Dong-seok
Mel Jarnson
Orville Peck
Hirooki Goto
Vidyut Jammwal
Olivier Richters
Direção:
Kitao Sakurai
História e Roteiro:
Kitao Sakurai
T.J. Fixman
Dalan Musson
Gary Dauberman
Produção:
Cale Boyter
Stefan Makhoul
Jason Momoa
Takayuki Nakayama
Mary Parent
Fotografia:
Ken Seng
Trilha Sonora:
Leo Birenberg
Zach Robinson





