Skin – À Flor da Pele (“Skin”)

Baseado numa história real, o filme do cineasta israelense Guy Nattiv (“Golda – A Mulher de Uma Nação”) tem o mesmo nome de seu primeiro curta-metragem que ganhou o Oscar de Melhor Filme da categoria em 2019. Apesar de terem o mesmo nome e tratarem do mesmo tema, a história é completamente diferente.

Jamie Bell de “Todos Nós Desconhecidos” está sensacional como Byron, integrante de uma gangue / seita / célula neonazista skinhead que estruturalmente expulsa a mata negros, judeus, gays e outras minorias dentro de sua comunidade e seus arredores.

Até que ele conhece a mãe solteira Julie (Danielle Macdonald do premiado “Se Eu Tivesse Pernas Eu Te Chutaria”), apaixona-se por ela e percebe que aquela vída de ódio não é para ele. Mas ao querer sair, entra em confronto direto com o líder da seita – e seu pai – Fred (Bill Camp de “A Hora do Vampiro”).

Com um elenco excelente e afiado, Camp está deliciosamente odioso. Sabemos que um ator interpreta com maestria um vilão, quando este nos causo asco e repulsa, e é exatamente isso que seu personagem faz.

A edição é peculiar e contribui com a história, fazendo uma analogia das inúmeras tatuagens do protagonista com sua crença na cultura do ódio e como elas fisicamente vão diluindo, dando espaço ao amor.

O diretor não dá uma jornada fácil aos personagens e, tanto a abordagem, quanto o linguajar são pesados, sem espaço para bom humor, ornando e delineando a narrativa para ser a mais real e carregada possível e fazendo o espectador mergulhar em seu próprio desconforto.

Inclusive o roteiro sai do lugar comum com um clímax pesado e um desfecho que apenas inicia uma nova história que acaba sendo contada com as fotos dos personagens reais já no início e durante os créditos finais.

À Flor da Pele” é uma ótima jornada emocional que questiona escolhas de vida e, como história real, vence por ser consistente e edificante sem atalhos do início ao fim.

Curiosidades:

  • A certa altura, a produção ficou sem dinheiro para a repetir as tatuagens diariamente, 14 no rosto, 39 no corpo, e Bell foi forçado a manter as tatuagens no rosto por vários dias. Bell afirmou que “nenhum membro da equipe sairia comigo. Eu estava comendo sozinho.”
  • Danielle Macdonald também estrelou o curta-metragem de mesmo nome do diretor.
  • O filme é dedicado a Ruben Monowitz (1922-2017). Ele é o avô do diretor, sobrevivente do Holocausto.
  • O roteirista e diretor escolheu sua esposa Jaime Ray Newman, como enfermeira Melissa.
  • Em uma das sequências de abertura, Bryon e outros são mostrados marchando para Columbus, OH, cantando um slogan. As legendas dizem “Queime esse solo”, o que é completamente errado. Deveria ser “Sangue e Solo”, um infame slogan nazista apropriado por muitos grupos supremacistas brancos e neonazistas. Isso denota a supremacia da pureza racial e da vida pastoral na fazenda que os nazistas consideravam ideal. (Esse ideal pastoral era parte da justificativa para as conquistas expansionistas do território chamado “lebensraum” – espaço de cultivo). Em alemão, a frase é “Blut und Boden”. Esse canto, não por acaso, também foi ouvido em Charlottesville, no protesto real em 2017.

Ficha Técnica:

Elenco:
Jamie Bell
Danielle Macdonald
Daniel Henshall
Bill Camp
Louisa Krause
Zoe Colletti
Kylie Rogers
Colbi Gannett
Mike Colter
Vera Farmiga
Mary Stuart Masterson
Russell Posner
Jenna Leigh Green

Direção:
Guy Nattiv

História e Roteiro:
Guy Nattiv

Produção:
Siavash Aghaiepour
Dillon D. Jordan
Oren Moverman
Guy Nattiv
Jaime Ray Newman
Celine Rattray
Trudie Styler

Fotografia:
Arnaud Potier

Trilha Sonora:
Dan Romer

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