Primeiro as Damas (“Ladies First”)

Fazia um bom tempo que o ator Sacha Baron Cohen não entrava em alguma comédia subversiva como o ótimo “Borat” ou o legal “Bruno”.

Dessa vez ele escolhe uma narrativa mais convencional e encarna Damien, o diretor machista de uma agência de marketing que contrata a única mulher, Alex (Rosamund Pike de “Uma Guerra Pessoal”) para seu corpo de gestão apenas para cumprir a cota de gênero, mas ainda assim sempre a trata como uma pessoa inferior.

Até que ele bate a cabeça e acorda numa realidade onde se vive um feminismo aos moldes do machismo com Alex sendo a diretora e ele um mero funcionário e sofrendo todos os preconceitos que as mulheres sofrem no mundo real.

Esse filme da Netflix é um remake de uma outra produção da própria Netflix francesa, “Eu Não Sou Um Homem Fácil” de 2018.

O cenário de mundo invertido contém inúmeras piadas de fundo e nomes de marcas alterados, incluindo “Victor’s Secret”, “Netchix” e “Vulva”, além de brincadeiras com o Papa, entre outras marcas da nossa cultura que talvez seja uma das melhores partes da comédia.

A mensagem desta produção dirigida pela diretora – sim, uma mulher – Thea Sharrock de “Como Eu Era Antes de Você” é mais do que bem vinda e, unida com o tipo de humor politicamente incorreto de Sacha Baron Cohen deixa a comédia ainda mais picante, mesmo que não haja nada tão longe do que seria esquetes convencionais com esse tema. Ou seja, apesar da ótima premissa e das boas piadas, não há um impacto acima da média.

Rosamund Pike faz seu nome como uma atriz versátil e expressiva, enquanto o elenco de apoio acompanha muito bem, com destaque para a hilária senhorinha Kathryn Hunter de “O Quarto da Frente” que interpreta Glenda, a velhinha da limpeza no mundo real e a CEO da empresa no mundo invertido. O desfecho é bem clichê, mas combina com o que o roteiro estava desenvolvendo e não prejudica o resultado.

Numa escala de impacto subversivo, “Primeiro as Damas” ainda está mais para uma boa Sessão da Tarde, mas que não falta humor e carisma.

Curiosidades:

  • Kathryn Hunter, que interpreta Glenda no filme, já foi professora de Sacha Baron Cohen na escola francesa de palhaços Ecole Philippe Gaulier.
  • O apelido de Glenda para uma borboleta, “Marcello”, faz referência ao falecido marido da atriz Kathryn Hunter.
  • Um dos principais sinais visuais do poder feminino no mundo invertido era o calçado: mulheres em posições de autoridade usam tênis de alta qualidade ou sapatos baixos e confortáveis com solas adequadas – sem salto alto – um detalhe elaborado de forma colaborativa entre os departamentos de figurino, cabelo e maquiagem.
  • Sacha Baron Cohen passou por um regime de condicionamento físico significativo para o papel, descrevendo-o como um afastamento da aparência física que ele normalmente usava em personagens cômicos.
  • Há uma grande sequência dentro de um castelo. Esse é o Castelo Broughton, pertencente e família de ninguém menos que o ator Ralph Fiennes.
  • Tanto Sacha Baron Cohen quanto Rosamund Pike nasceram em Hammersmith, Londres.

Ficha Técnica:

Elenco:
Sacha Baron Cohen
Rosamund Pike
Tom Davis
Emily Mortimer
Charles Dance
Fiona Shaw
Richard E. Grant
Red Tennant
Kathryn Hunter
Bill Paterson
Paul Chahidi
Jordan Metcalfe

Direção:
Thea Sharrock

História e Roteiro:
Natalie Krinsky
Cinco Paul
Katie Silberman

Produção:
Liza Chasin
Eleonore Dailly
Edouard de Lachomette

Fotografia:
Haris Zambarloukos

Trilha Sonora:
Atli Örvarsson

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