Consta que após finalizar “Gladiador II”, o diretor Ridley Scott estava sem nada para fazer e buscando algum projeto para se debruçar. Eis que ofereceram o livro “Ponto Se Retorno” de Peter Heller para ele ler, e então Scott se entusiasmou para fazer a adaptação.
O livro fala de um mundo em 2035 assolado por uma pandemia que matou quase toda a população. Apresenta-nos então Hig, homem que perdeu sua esposa e filha e só tem um cachorro, sobrevivente que mora num hangar no campo com o amigo Bangley e que passa os dias protegendo o perímetro daqueles humanos do mal que sempre tem nessas histórias apocalípticas, e voando no seu teco-teco em busca de novas pessoas suprimentos e um maio propósito para viver.
O livro basicamente é um drama de um homem devastado num mundo devastado em busca de significado. Ridley Scott quis acrescentar um pouco mais de perigo e aventura, escalou Jacob Elordi (“O Morro dos Ventos Uivantes”) como Hig, Josh Brolin (“Vivo ou Morto”) como Bangley e Margaret Qualley (“Manual Prático da Vingança Lucrativa”) como Cima, o interesse amoroso que surge no segundo ato.
Um livro mais dramático se transformou num filme bom e fluido, mas com poucos conflitos, pouca tensão, onde não há nenhum momento que pega o espectador pelo pescoço. É como se acontecesse muita coisa, apenas para se voltar aonde começou.
Há algumas boas cenas de violência, luta, ação, mas são meio que pontos fora da reta e nunca causa um impacto marcante, além de serem meros obstáculos. A dinâmica dos personagens e ótima e Brolin brilha como o sabichão chato, mas que no fundo em razão.
Talvez o maior problema na jornada do protagonista, Hig, é que – ao contrário do livro – aqui seus conflitos interiores nunca são tão bem entendidos a ponto de se traçar um caminho para a redenção, então o roteiro vai levando o personagem até o final sem necessariamente ele ter seu propósito consolidade, o que não é ruim, mas parece que falta alguma coisa.
“Ponto Sem Retorno” é bom, mas morno, sem o teor dramático do livro, muito menos com a ação que a tela de cinema poderia proporcionar.
Curiosidades:
- Há uma cena em que Hig mostra uma constelação que ele chama de Elvis. Piada interna, pois ele já foi Elvis no filme “Priscilla”.
- O cachorro Jasper foi interpretado por 3 cachorros. Curiosamente cada cachorro era melhor em determinadas ações, então de acordo com a cena, trocava-se o cachorro.
- O diretor filmou cada cena com 6 a 11 câmeras para não precisar fazer os artistas repetirem várias vezes de ângulos diferentes.
- Apesar do filme se passar nos EUA, foi inteiramente filmado na Itália, nas proximidades de Roma. Scott já conhecia a área após ter filmado “Gladiador” e sua sequência. Inclusive, as montanhas Dolomitas da Itália foram usadas como substitutas das Montanhas Rochosas do Colorado.
- Peter Heller, autor do romance original, visitou o set durante a produção, mas deliberadamente optou por não interferir no processo criativo de Mark L. Smith, funcionando como o que os produtores descreveram como torcedor animado que nunca pisou no pé do roteirista.
Ficha Técnica:
Elenco:
Jacob Elordi
Margaret Qualley
Josh Brolin
Guy Pearce
Allison Janney
Benedict Wong
Ewen Bremner
James Craze
Sam Spruell
Direção:
Ridley Scott
História e roteiro:
Mark L. Smith
Christopher Wilkinson
Produção:
Michael Pruss
Cliff Roberts
Ridley Scott
Mark L. Smith
Fotografia:
Erik Messerschmidt
Trilha Sonora:
Harry Gregson-Williams





