O Som da Morte (“Whistle”)

O terror bebe da fonte de vários outros filmes, tendo pouquíssimos insights originais: a velha história do artefato / ritual que ao ser usado por um grupo de jovens, desperta uma maldição que vai matá-los um por um.

Só que mesmo a falta de originalidade sendo um ponto que conta bastante para a experiência do espectador, aqui o roteiro e direção fazem algo que a maioria de filmes mais originais não faz: amarra todas as pontas (ou quase).

Vamos do início: Dafne Keen ( “Logan”) é a jovem problemática Chrys que ao voltar para sua cidadezinha se depara com a resistência de seu antigo grupo de amigos, mas também encontra um misterioso objeto. Numa reunião com esses amigos, alguém sopra o objeto e todos que escutam o som caem numa maldição que vai perseguí-los até a morte.

Não se sabe a natureza da maldição, seu mecanismo ou lógica, e como se faz para parar. É aí, que o diretor Corin Hardy (“A Freira”) desponta, pois ele vai montando junto com o espectador todo esse quebra cabeça que, por sinal, tem na sua resposta talvez o único elemento original em toda a trama. Inclusive consegue amarrar todas as pontas do roteiro, menos a última cena em que sempre há essa obsessão besta por continuidade.

Os sustos são bons (mas iguais a outros filmes), as mortes são boas, tem 2 em especial que já valem o ingresso, o elenco é esquecível, mas a protagonista é boa de cena e, enquanto a solução para a maldição é uma cópia descarada de “Sorria 2”, o resultado dessa solução aqui é muito mais satisfatório.

Se tem algo que “O Som da Morte” traz de novo é um senso de coerência que dificilmente vemos em produções do gênero. Se não é marcante pela história, os neurônios agradecem pelo roteiro arrumado.

Curiosidades:

  • A frase do cartaz nacional é “Não assopre isso” que é a tradução literal da frase do cartaz original “Don’t blow it”. Só que essa expressão em inglês tem um duplo sentido e também pode significar “Não estrague tudo”, o que para os americanos soa como uma ótima ironia.
  • O nome da protagonista Chrys é uma abreviação de seu nome inteiro Chrysanthemum, que significa crisântemo, popularmente conhecido como “flor de cemitério” e é a espécie mais utilizada no Dia de Finados, principalmente devido à sua grande durabilidade. Assim seu nome acaba sendo associado à morte.
  • Alguns personagens tem seu sobrenomes como homenagem a grandes diretores de filmes de terror: o diretor da escola é o Sr. Craven em homenagem ao mestre Wes Craven, e há uma personagem com o sobrenome Friedkin para homenagear William Friedkin.
  • Nas cenas do parque de diversão, estava tão frio que começou a nevar. Assim, além do trabalho da equipe de tentar remover a neve, parte foi retirada na pós produção através de CGI.

Ficha Técnica:

Elenco:
Dafne Keen
Sophie Nélisse
Percy Hynes White
Nick Frost
Jhaleil Swaby
Ali Skovbye
Sky Yang
Mika Amonsen
Michelle Fairley
Stephen Kalyn

Direção:
Corin Hardy

História e Roteiro:
Owen Egerton

Produção:
Whitney Brown
David Gross
Macdara Kelleher

Fotografia:
Björn Charpentier

Trilha Sonora:
Doomphonic

DIREÇÃO

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