O diretor David Robert Mitchell fez o sensacional terror “Corrente do Mal” lá pelos idos de 2014 e só agora, 12 anos depois, volta aos holofotes.
Seu roteiro foi escolhido a dedo pelo produtor J.J. Abrams, o cara que foi ao céu de Hollywood quando criou as icônicas séries “Lost” e Aliás”, quando reviveu a franquia “Star Trek” no cinema na última parte da trilogia mais recente de “Star Wars – A Ascenção Skywalker” com talvez o pior capítulo de toda a franquia principal.
“O Fim da Rua”, aliás, é a cara de Abrams, já que ele tenta fazer sua versão de “Jurassic Park”, da mesma forma que em 2011 ele fez sua versão de “ET – O Extraterrestre” com seu filme “Super 8”. Em ambos os casos, até que funcionou bem.
Podemos chamar essa nova produção de “Jurassic Bairro” (como já vi em alguns canais na Internet), pois o plot é que literalmente um bairro inteiro é transportado para a era pré histórica e as famílias precisam sobreviver às ameaças jurássicas e tentar voltar para o presente (o presente do filme se passa em 1982). Tudo será – meio que – explicado no último ato.
A família em questão é a de Anne Hathaway (Denise) que está batendo ponto em todas as grandes produções do ano, e de Ewan McGregor (Greg) de “Aves de Rapina”. Eles levam uma vida de classe média e estão passando por problemas no casamento, situação que é um dos pontos chave para a dinâmica dos personagens.
No campo da ação, o filme é divertidíssimo tanto na hora de construir a tensão, bem como a partir do momento em que os dinossauros já vêm com tudo para matar. Os efeitos especiais são ótimo, os dinossauros e demais criaturas não são meras cópias de “Jurassic Park”, sendo até mais realistas em suas estruturas, além das mortes serem gráficas no limite para não serem censuradas, inclusive com uma bem chocante próximo ao final.
A nostalgia oitentista toma conta com um excelente design de produção e muitas tomadas em homenagens claras ao diretor Steven Spielberg e outras que são reproduções de grandes produções como cena das crianças nas bicicletas tal qual em “It – A Coisa” e que já tinha sido reproduzida na série “Stranger Things”.
O clímax tem um pouco de tudo, até com uma solução bem bonita que vai lembrar muito a franquia “De Volta Para o Futuro” – mesmo que do ponto de vista teórico esteja errada (mas ninguém vai notar) e você pode ler na área de spoilers.
“O Fim da Rua” era a continuação que “Jurassic Park” merecia ter, mas que ninguém nunca teve a coragem de materializar. Agora num filme solo, é um ótimo passatempo de ação em grande produção.
Curiosidades:
- Dedicado a Robert Allen Mitchell, pai de David Robert Mitchell, que faleceu em 2024 e era louco por dinossauros. Uma foto de infância de David e seu pai pode ser vista antes que os créditos finais comecem a rodar.
- Dedicado a Hudson Meek (o moleque que faz bullying com o filho de Denise), que morreu em 21 de dezembro de 2024 após cair de um veículo em movimento. Esse foi o último filme dele.
- O filme se passa em 1982, ano em que Anne Hathaway nasceu.
- O grande dinossauro carnívoro que serve como principal antagonista da família é um alossauro, não um T. Rex como foi em “Jurassic Park”.
SPOILERS – SÓ LEIA APÓS ASSISTIR AO FILME
- A parte em que o roteiro erra no final é que quando Denise (Hathaway) e seus filhos voltam antes dos eventos do filme acontecerem e salvam Greg (McGregor), o que acontece é o bairro some sem ele, mas ela e os filhos vão para a era pré-histórica. Se eles morrem lá (o que é bem provável), automaticamente eles também morrerão no presente, já que não existe cópias e são as mesmas pessoas. Apenas Greg sobreviveria, já que ele escapou da viagem no tempo.
Ficha Técnica:
Elenco:
Anne Hathaway
Ewan McGregor
Maisy Stella
Christian Convery
Jordan Alexa Davis
P.J. Byrne
Hudson Meek
Anne Gee Byrd
Emily Kuroda
Simms May
Direção:
David Robert Mitchell
História e roteiro:
David Robert Mitchell
Produção:
J.J. Abrams
Jon Cohen
Tommy Harper
Matt Jackson
Hannah Minghella
David Robert Mitchell
Fotografia:
Mike Gioulakis
Trilha Sonora:
Michael Giacchino





