Ao contrário de 90% das continuações, está uma das poucas que desde o lançamento do original, todo mundo pediu.
Mas uma dica importante: não vá assistir a esta nova produção sem lembrar pelo menos no geral de como foi seu antecessor. Não precisa lembrar detalhes, mas entender como era a dinâmica dos personagens é essencial para entrar num primeiro ato que explica pouquíssimo e já começa sem pedir licença, o que particularmente achei uma falha menor, mas relevante.
Com todo o elenco e equipe de volta, incluindo o diretor David Frankel, o filme inicia com uma rima onde a mesma Andy Sachs (Anne Hathaway) aparece escovando os dentes com uma escova elétrica (o original começa com o mesmo gesto, mas com uma escova normal).
20 anos depois, ela é uma premiada jornalista, mas que acabara de ser demitida por corte de custos (uma interessante crítica a crescente cultura digital da desinformação). Ao mesmo tempo, a revista Runnway passa por um escândalo de comunicação que pode levar ao cancelamento de todos os seus patrocínios.
O roteiro nem deixa o espectador juntar A com B para entender que Andy será contratada sem que Miranda (Meryl Streep) saiba o eu vai gerar aqueles deliciosos atritos e situações entre as duas, com a volta do fiel escudeiro Nigel (Stanley Tucci, sensacional) e ainda a surpresa de Emily (a xará Emily Blunt) como nova executiva e patrocinadora da revista.
Com essa rapidez toda para se chegar na essência do mecanismo que move a história – a relação entre Miranda e Andy – o primeiro ato inteiro vai nas carreiras, e, olhando em retrospecto, a trama desse escândalo de comunicação nem faz tanto sentido assim, desaparecendo logo que é conveniente para dar espaço à outros momentos.
Por isso que o que importa mesmo, e o que realmente faz a diferença é ver esse quarteto fantástico atuando em torno do mundo da moda, sempre muito bem construído.
Meryl Streep rouba todas as cenas, comanda o espetáculo numa interpretação tão cheia de camadas que foge do convencional resultando numa comédia com muito mais alma, sempre que está presente.
O mesmo pode ser dito de Stanley Tucci como Nigel que talvez seja o coração do filme, pois suas intervenções sempre são cheias de sabedoria com traços de emoção (o final é um delicado e belo plot twist) e, é claro, bom humor.
Emily Blunt funciona como um ótimo alívio cômico e também conta com um desfecho bonitinho, que aliás, o roteiro deu para todos os personagens como se fosse um fechamento de ciclo. Finalmente chegamos a Anny Hathaway que é só carisma e tem a presença necessária para ser a protagonista sem ofuscar seus parceiros de tela.
No mais, tudo é menor, como a subtrama do interesse amoroso de Andy – que entra mudo e sai calado – ou até mesmo a participação da Lady Gaga que está sempre bem, mas que agrega pouco na trama, a não ser pelo fato de que ela compôs pelo menos 2 ótimas músicas da trilha sonora, que ainda inclui a inabalável Vogue de Madonna.
“O Diabo Veste Prada 2” traz de volta a excelente essência e dinâmica do primeiro tem aquele humor fino e inteligente com ótimas risadas, só que com um começo rápido demais e tramas um pouco menos envolventes. Nem por isso faz feio. Pelo contrário, está na moda.
Curiosidades:
- No filme Miranda diz que vai ligar para Lady Gaga para chamá-la para participar do evento do terceiro ato. Na realidade Meryl Streep realmente ligou para Lady Gaga para convidá-la a participar do filme, e a cantora aceitou na hora.
- Lady Gaga escolheu seu próprio figurino para a cena do show.
- As roupas do filme serão leiloadas para beneficiar o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, uma organização sem fins lucrativos que promove a liberdade de imprensa internacionalmente.
- A razão pela qual a sequência demorou 20 anos foi que Meryl Streep prefere não fazer nenhuma sequência de seu próprio trabalho. Sua única outra sequência, “Mamma Mia – Lá Vamos Nós de Novo” (2018) foi lançado 10 anos após o original, e ela só concordou se seu papel fosse reduzido. Segundo consta, foram necessários muitos anos de negociações e ofertas salariais antes que Streep se comprometesse com o filme.
- Pouco antes do lançamento do filme, foi revelado que Meryl Streep e Anna Wintour, em quem Miranda Priestly se baseia, são primas de sexto grau na vida real. Meryl disse: “Bem, isso explica tudo” e disse que ficou “encantada” com a notícia.
- A autora do livro O Diabo Veste Prada escreveu a continuação A Vingança Veste Prada, mas o filme usa uma história completamente diferente, isto é, o livro não foi usado no roteiro.
- Stanley Tucci é casado com Felicity Blunt, irmã de Emily Blunt. Eles se conheceram na estreia do primeiro filme em 2006.
- A estilista Donatella Versace, mencionada no primeiro filme, faz uma participação especial neste. Ela é vista tomando café da manhã com Emily (Emily Blunt), que a acha muito chata: isso é uma referência à sua menção no primeiro filme, onde Miranda disse a Andy que “ninguém quer sentar ao lado de Donatella”.
- Anna Wintour filmou uma breve cena para o filme que foi cortada do filme final, mas estará presente como bônus na versão de streaming. O diretor David Frankel confirmou que o ex-editor da Vogue filmou o que ele chamou de “piada” que não pôde ser usada porque Wintour errou a deixa e parecia parcialmente desfocada. “Não posso pedir à Anna que faça o take two”
- Valentino Garavani, que fez uma participação especial no primeiro filme, estava prestes a reaparecer neste; sua piora do estado de saúde tornou isso impossível. Ele morreu em janeiro de 2026, algumas semanas após o término das filmagens.
- Na última cena do filme, Andy veste uma camisa bem combinada e um top azul cerúleo. Esta é uma referência ao seu primeiro dia na Runway, quando ela vestiu uma blusa azul cerúleo que Miranda desaprovou.
Ficha Técnica:
Elenco:
Meryl Streep
Anne Hathaway
Emily Blunt
Stanley Tucci
Kenneth Branagh
Justin Theroux
Lucy Liu
Tracie Thoms
Tibor Feldman
B.J. Novak
Patrick Brammall
Simone Ashley
Caleb Hearon Helen J Shen
Direção:
David Frankel
História e Roteiro:
Aline Brosh McKenna
Produção:
Wendy Finerman
Fotografia:
Florian Ballhaus
Trilha Sonora:
Theodore Shapiro





