Michael

O novo fenômeno mundial, o filme de Michael Jackson, o maior ícone do pop de todos os tempos, está dividindo opiniões, principalmente pela história que conta, já taxada como rasa e incompleta – aí também pelo fato de esta produção ser a primeira de duas, segundo os créditos finais, fazendo a pausa da vida do cantor em 1989, em sua turnê após o lançamento da mega balada Bad.

O filme dirigido pelo supercompetente Antoine Fuqua – da franquia “O Protetor” tem aquela história generalista que retrata grande parte de artistas musicais no cinema, e por isso se parece com tantas outras. E sim, o conflito entre Michael e seu pai (Colman Domingo de “O Sobrevivente”, sensacional) foi muito pior, mais violento e mais complexo do que mostra o filme. Inclusive grande parte dessa jornada emocional de Michael só foi possível com a ajuda de sua irmã, Janet Jackson, que nem no filme está, como se simplesmente não tivesse existido.

Mas grande parte da culpa não é bem do roteiro, já que essas licenças acontecem em grande parte dos filmes, mas sim no fato de que a vida do rei do pop foi tão exposta que detalhes de sua intimidade familiar são amplamente expostas. Assim ao comparar o que se sabe com o filme, fica aquela sensação de ver algo genérico e pasteurizado.

Justamente por isso que as unanimidades positivas são o que levam o filme para um patamar bem superior. A maior delas, é claro, são as músicas: o diretor não economizou e tocou quase INTEIRAS grande parte do repertório do cantor na época, desde a época dos Jacksons Five, como I’ll be there, passando pelas grandes Beat it, Billy, Jean, Thriller, Bad e outras, entregando para o espectador uma experiência inigualável, com um design de produção espetacular que recriou com nuances detalhistas todo o cenário da época.

Jaafar Jackson, sobrinho de Michael, incorpora o cantor na versão adulta de uma forma avassaladora, imitando em vozes, danças e trejeitos cenas reais que, se comparadas quadro o quadro, resultam num fruto de um trabalho brilhante de maquiagem, figurino, fotografia, coreografia e todos os elementos que podem compor uma recriação desse calibre. Palmas também para Julani Valdi, estreando também nas telonas como Michael na fase criança, com um belíssimo carisma e, como se diz no Brasil, o “molho” que fez Michael brilhar.

Sabendo que na cronologia do filme, Michael terá apenas mais alguns anos de sucesso absoluto antes de ter sua carreira seriamente abalada pelas acusações de abuso infantil, resta torcer para que, se houver uma segunda parte, que ela, de alguma forma, consiga tocar o espectador da maneira que esse filme o fez.

Michael” se torna uma definitiva homenagem, muito mais – e talvez muito diferente – que apenas uma biografia, com um das playlists no puro estado da arte, que agora passa a servir como referência musical para as novas gerações que carecem tanto dessa arte e tem tão pouco.

Curiosidades:

  • Janet Jackson não aparece no filme, porque ela não quis e deu ordem expressas para ser retirada do roteiro. Isso se deve ao forte atrito que ela tem com o advogado John Branca (interpretado aqui por Miles Teller de “Eternidade”), pois não só ele gerência parte do espólio da família Jackson ao contragosto de Janet, como ele se deu um destaque maior no filme do que realmente teve, ofuscando figuras mais importantes, como por exemplo, o brilhante produtor Quincy Jones.
  • Michael teve mais 2 irmãos que também decidiram não serem citados no filme, Rebbie e Randy Jackson.
  • Lady Gaga cedeu algumas roupas do Michael Jackson que ela tinha adquirido com a condição de que ela pudesse visitar os sets de filmagens a hora que ela quisesse.
  • Embora o filme mostre que Michael demitiu seu pai em 1981, na verdade ele o fez em 1979.
  • A música que Michael canta ao subir as escadas de casa é Smile de Nat King Cole, sua música favorita de todos os tempos. Ela foi apresentada a ele pelo irmão Jermaine Jackson. A música foi tocada em seu funeral em 2009, cantada por Jermaine.
  • Durante a cena em que Michael visita as crianças no hospital em 1978, um dos brinquedos infantis é o Insectoaurus de Monsters Vs Aliens, um filme que só teria sido lançado 30 anos depois.
  • A atriz que interpreta a namorada de Michael no clipe Thriller é filha do diretor Antoine Fuqua.

Elenco:

Jaafar Jackson

Juliano Valdi

Colman Domingo

Nia Long

Liv Symone

Laura Harrier

Larenz Tate

MIlles Teller

Direção:

Antoine Fuqua

História e Roteiro:

John Logan

Produção:

John Branca

Graham King

John McClain

Fotografia:

Dion Beebe

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