É cada vez mais raro um filme de terror melhor que a média, usando uma fórmula antiga. Seja na maneira de contar a história, seja na maneira de criar tensão, seja nas possibilidades narrativas ou originalidade do tema, a esmagadora parte das ótimas produções do gênero nos últimos anos se esforçam em um ou mais desses pilares.
Em “Hokum”, Adam Scott de “Virando a Noite” e sucesso absoluto na série “Ruptura” é Ohm, um pretencioso e arrogante escritor que visita uma pousada irlandesa para espalhar as cinzas de seus pais, sem saber que há segredos sobrenaturais guardados por lá.
O diretor Damian McCarthy faz parte da nova geração de cineastas de terror que começaram com aclamados curtas, passando para longas independentes e finalmente financiado para a tela grande.
Uma das sacadas narrativas desta sua empreitada é que ele pega um mistério insolúvel e mistura com o tema de bruxaria como duas tramas que caminham em paralelo e se juntam pela força das circunstâncias. Além disso há uma interessante jornada de autodescoberta do protagonista que é traduzida no livro que ele está escrevendo em uma subtrama que foge da linha principal, mas que resulta num desfecho muito bonito.
O diretor misturou ótimos sustos à moda antiga com construção de tensão em cima de sombras e reflexos, deixando a bruxa muito mais com cara de entidade, além de um excelente timing para cada cena.
A verve de terror só não torna a produção um filmaço porque faltou criatividade no climax para definir o destino da tal bruxa e seus asseclas, parecendo uma cena de filme dos anos 80. Mas ainda não chega a prejudicar o final.
“Hokum” é uma ótima mescla de suspense inteligente com terror sobrenatural com muito mais acertos do que erros. E quando o erro vem da tentativa de inovar, a gente dá um desconto.
Curiosidades:
- Adam Scott passou quase três semanas filmando sozinho em um único quarto, um processo que ele descreveu como emocionalmente exigente, mas importante para transmitir o isolamento do personagem.
- Para capturar imagens detalhadas em close-up das cabeças em miniatura do relógio, a produção criou versões grandes dos adereços.
- “Hokum” é definido como “um dispositivo usado em programas de auditório para evocar a resposta desejada do público” ou “bobagem pretensiosa”.
**SPOILERS – SÓ LEIA SE JÁ ASSISTIU AO FILME**
- A entidade presa na suíte de lua de mel é identificada como Cailleach, uma figura da mitologia gaélica associada ao inverno, à velhice e à paisagem da Irlanda e da Escócia.
Ficha Técnica:
Elenco:
Adam Scott
Austin Amelio
Ezra Carlisle
David Wilmot
Michael Patric
Will O’Connell
Brendan Conroy
Peter Coonan
Florence Ordesh
Direção:
Damian McCarthy
História e Roteiro:
Damian McCarthy
Produção:
Derek Dauchy
Mairtín de Barra
Julianne Forde
Roy Lee
Steven Schneider
Ruth Treacy
Fotografia:
Colm Hogan
Trilha Sonora:
Joseph Bishara





