Fúria Primitiva (“Monkey Man”)

Essa mistura de “John Wick” com “Quem Quer Ser um Milionário” é a estréia do ator Dev Patel (“A Lenda do Cavaleiro Verde”) que também co-escreve e protagoniza o filme.

Inclusive a analogia a “John Wick” que é feita pelo ocidente é tão óbvia que o diretor faz uma hilária referência nominal ao filme de Keanu Reeves numa determinada cena.

A trama lembra muito outros filmes de ação indianos sobre a guerra de classes: após ver sua vila incendiada e sua mãe morta quando ainda era criança, o jovem vivido por Patel promete vingança e é ávido para se infiltrar no grupo criminoso que corroeu a polícia para desapropriar terras em interesse próprio.

Com essa idéia na cabeça, uma câmera (e um iPhone) na mão e o troco da sua conta bancária, o diretor conseguiu extrair uma abordagem diferenciada de uma história pouco original.

Sem contabilizar os flashbacks manjados, a sacada dele ser um lutador do submundo que é pago para perder usando uma máscara de macaco e toda a mítica indiana em torno de Hanuman (o deus macaco) é um excelente arco de história.

Mais que isso, ele encontra uma maneira orgânica de tratar a diversidade no país bastante homofóbico como a Índia e, de quebra, ainda relaciona mais uma vez com os deuses indianos, fazendo total sentido a relação entre Shiva e Sati, na parte mais calma da trama.

Falando de ação, Patel fez do limão uma limonada: mesmo com poucos recursos, ele desenvolve lutas eletrizantes, sangrentas e foge dos clichês dos exemplares do gênero, sem pedir perdão ou permissão.

As tomadas, angulações e contraste de cores (a cena do elevador no final já é icônica) foram brilhantemente desenhadas pelo diretor de fotografia Sharone Meir que, inclusive, também fez esse ótimo trabalho num filme semelhante, mas não tão bom, “O Silêncio da Vingança”. Aliás até o confronto final é parecido entre ambas as produções. Mas a casadinha dele com Dev Patel foi muito melhor.

Fúria Primitiva” explora muitas camadas e não só é a ação pela ação, passando por uma sempre boa crítica socioeconômica, problemática das minorias, tudo entre linguagens inovadoras e conteúdo nem tanto, mas com um saldo mais que positivo.

Curiosidades:

  • O dinheiro da produção era tão pouco que na cena da briga num salão de festas, as mesas não estavam completas e enquanto o diretor negociava o melhor preço, as primeiras cenas foram filmadas pegando os personagens do peito pra cima para não precisar aparecer as mesas que ainda não estavam compradas. Elas só chegaram no segundo dia.
  • Dev Patel sofreu os seguintes machucados:
    • Quebrou a mão no segundo dia de filmagens na cena da luta no banheiro. Ele não cuidou e só parou por uns dias quando ela estava inchada como uma pata de elefante.
    • Quebrou dois dedos na luta com o cara do machado. O ator sem querer deu com o peso do machado no pé de Patel.
    • Teve irritação nos olhos, na cena em que cai no rio Ganges. Na verdade ele caiu numa piscina de um AirBnB alugado para essa cena. Mas a água estava não estava tratada e ele teve essa infecção.
    • Deslocou o ombro numa das lutas no ringue.
  • Muitas cenas foram feitas com câmeras Go-pro e iPhones (inclusive do próprio diretor) devido à restrição orçamentária.
  • O estava programado para estrear pela Netflix, mas a produtora do cineasta Jordan Peele comprou os direitos de distribuição para lançar no cinema. Detalhe: o nome de sua produtora é Monkey Paw (Pata de Macaco) e o nome do filme é Monkey Man (Homem Macaco, na tradução literal).
  • A cidade onde se passa o filme é fictícia com o nome de Yatana, onde um dos significados em sânscrito é “vingança”.
  • O primeiro assistente de direção abandonou a produção no primeiro dia sem avisar ninguém.
  • Um coordenador de filmagens teve um ataque cardíaco fulminante no set e morreu. Além disso, uma das figurantes morreu de COVID logo após o término das filmagens.
  • As cenas tidas documentais de violência na Índia que aparecem no filme são reais.
  • Nas lutas do submundo os lutadores usam farinha grudada na pele para esconder o tom da pele. Mas a verdade é que elas foram usadas, pois o dublê de Dev Patel era cheio de tatuagens e a produção não tinha dinheiro para retirá-las digitalmente.
  • A atriz que interpreta a mãe do protagonista, Adithe Kalkunte, interpretou a esposa do personagem de Dev Patel em “Atentado ao Hotel Taj Mahal”.
  • O pedinte na cadeira de rodas é o assistente de figurino.

Ficha Técnica:

Elenco:
Dev Patel
Sharlto Copley
Pitobash
Jatin Malik
Sikandar Kher
Sobhita Dhulipala
Makrand Deshpande
Ashwini Kalsekar
Vipin Sharma
Adithi Kalkunte
Jomon Thomas
Pehan Abdul
Brahim Chab

Direção:
Dev Patel

História e Roteiro:
Dev Patel
Paul Angunawela
John Collee

Produção:
Ian Cooper
Kenny Gage
Christine Haebler
Basil Iwanyk
Erica Lee
Anjay Nagpal
Dev Patel
Jordan Peele
Win Rosenfeld
Samarth Sahni
Jomon Thomas

Fotografia:
Sharone Meir

Trilha Sonora:
Jed Kurzel

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