Eli é uma criança que tem uma estranha doença que não permite que ele possa sair de uma redoma esterilizada. É uma espécie de alergia mortal a germes, bactérias, sol, entre outras coisas. Seus pais então o levam a uma última esperança: uma clínica que fica num casarão isolado de tudo, comandado pela Dra. Horn (Lili Taylor de “Rua do Medo – Rainha do Baile”) que promete um tratamento para uma cura definitiva. A esperança começa a desandar quando Eli vai ficando mais fraco e frágil e ele começa a experimentar fenômenos sobrenaturais, mas que ninguém acredita nele.

Há uma premissa bastante original que vai levar a um excelente plot twist, provando que o roteiro – ou pelo menos sua idéia inicial – foi escrita com muita sofisticação de quem sabia o que estava fazendo.

A parte dos sustos é igualmente criativa onde o diretor Ciarán Foy (“A Entidade 2”) faz um ótimo uso de iluminações, espelhos com efeitos de CGI realistas, numa dinâmica que realmente assusta. O fato de a maioria desses sustos ocorrer com uma criança, o protagonista interpretado por Charlie Shotwell de “Morbius”, deixa tudo ainda mais delicado.

Os tropeços acontecem na hora do desenvolvimento do caminho que leva do ponto de partida da premissa até o clímax: o roteiro convenientemente esqueceu que estamos na era moderna e numa clínica daquelas, simplesmente não há câmeras de segurança, sendo que não há nenhum motivo aparente para não as ter. Só isso já resolveria boa parte do problema.

Aliás, parece que tecnologia não é o forte do roteirista, pois os celulares também foram banidos, coisa que poderia ter ajudado em muito nosso jovem herói ou até mesmo os pais dele.

Finalmente chegamos no clímax que causa um sensacional impacto visual, mas carece de conteúdo, porque, apesar de haver uma explicação para a reviravolta, ela é dada de forma tão superficial e rápida que o espectador talvez nem sinta que houve, deixando aquela sensação de estar meio perdido na narrativa. O finalzinho querendo ser bem humorado também não ajuda.

Eli” merece ser assistido pela originalidade, sustos e dinâmica, mas é uma pena que inexplicavelmente recaia em falhas narrativas tão primárias.

Curiosidade:

  • A raiz de tannis que é citada como remédio foi originalmente composta pelo autor Ira Levin para o livro “O Bebê de Rosemary”.
  • Os ex-pacientes do Dr. Horn receberam nomes de personagens de filmes de terror: Perry Hobbes em homenagem ao detetive Hobbes em “Possuídos” (1998), Agnes Thorne de Damien Thorn em “A Profecia” (1976) e Lucius Woodhouse de Rosemary Woodhouse em “O Bebê de Rosemary” (1968).
  • O nome da mãe de Eli, Rose, é uma alusão a Rosemary Woodhouse, a mãe em O “Bebê de Rosemary”.
  • A mansão é baseada na Cadeia Paroquial de Beauregard em DeRidder, Louisiana.
  • Um cartaz no início do filme diz “Provérbios 19:9 A falsa testemunha não ficará impune e quem conta mentiras perecerá”. No final o público entende o motivo.

***SPOILERS – SÓ LEIA APÓS ASSISTIR AO FILME***

  • Quando a enfermeira Maricela pesa Eli, ela determina que o peso dele é “Seis Sesenta y Seis”, espanhol para 666, implicando assim a verdadeira identidade de Eli.
  • As portas da ala médica mostram um padrão de cruzes invertidas aludindo a um sinal do diabo. No final do filme, Eli transforma o Dr. Horn e as enfermeiras em cruzes humanas invertidas.

Ficha Técnica:

Elenco:
Charlie Shotwell
Kelly Reilly
Max Martini
Lili Taylor
Sadie Sink
Deneen Tyler
Katia Gomez

Direção:
Ciarán Foy

História e Roteiro:
David Chirchirillo
Ian Goldberg
Richard Naing

Produção:
Trevor Macy
John Zaozirny

Fotografia:
Jeff Cutter

Trilha Sonora:
Bear McCreary

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