Dentro da Baleia (“Whalefall”)

Quem já viu o trailer ou o poster dessa produção dirigida por Brian Duffield de “Ninguém Vai Te Salvar”, já sabe o básico e principal: o protagonista é engolido por uma baleia e tem que dar um jeito de não morrer e escapar de lá.

Então a grande ousadia do roteiro é fazer o espectador acreditar que não só o personagem poderia ser engolido por engano por uma baleia, como também sobreviver e “passear” pelo seu interior para achar uma saída. A solução – que funciona na maior parte – foi transformar o que poderia ser apenas uma sucessão de eventos em um jogo de presente e passado, dentro de uma experiência subjetiva.

Mas vamos por partes: Austin Abrams, recém-saído do ótimo “Resident Evil”, é Jay que perdera seu pai mergulhador (Josh Brolin de “Ponto Sem Retorno”) com quem sempre teve uma relação conflitante. Traumatizado pela perda, Jay mergulha com um determinado propósito e é surpreendido por uma baleia que o engole. Então ele tem algumas dezenas de minutos para sair de lá antes que seu tanque de oxigênio acabe ou antes que a baleia consiga digeri-lo.

A sequência da “engolida” é de tirar o fôlego (sem trocadilhos), sendo que a o design de produção ao criar um cenário como se fosse o interior de uma baleia foi muito bem elaborado, inclusive colocando obstáculos perigosos e críveis para nosso herói.

Só que tudo isso vem embalado num drama familiar que envolve pai e filho através de alguns emocionantes flashbacks, o que faz toda a diferença, já que a experiência que Jay tem no interior da baleia é diretamente afetada pelas suas lembranças, o que dá uma certa dimensão metafórica, que vai aumentando com o desenvolvimento da história.

O terceiro ato com a cena das baleias (sem spoilers) é quase um balé metafórico que só termina no clímax e ilustra muito bem que talvez parte da experiência de Jay no interior da baleia se passa numa mistura de percepção e lembrança.

Baseado no livro de Daniel Kraus, “Dentro da Baleia” soube usar a subjetividade a favor de uma trama ousada e ao final constrói muito bem um arco dramático, além de cenas intensas e com ótimos efeitos especiais e práticos.

Curiosidades:

  • Austin Abrams realiza quase todas as suas próprias acrobacias. Isso inclui cenas subaquáticas em equipamento de mergulho.
  • Nas filmagens aquáticas a equipe de filmagem avistar 3 baleias fêmeas e seus filhotes no mar.
  • Antes do início da filmagem principal, Austin Abrams viajou para um santuário de cachalotes perto da ilha de Dominica, no Caribe, com o aclamado documentarista sobre baleias Patrick Dykstra para mergulhar com cachalotes selvagens em seu habitat natural, uma experiência destinada a informar diretamente sua performance.
  • Abrams obteve a certificação avançada em mergulho especificamente para o papel, fazendo isso assim que foi escalado.
  • O roteirista passou semanas consultando cientistas, incluindo Lara Horstmann, reitora associada de pesquisa e diretora de Ciências Marinhas da Universidade do Alasca, Dra. Joy Reidenberg, professora de anatomia comparada na Escola de Medicina Icahn no Monte Sinai, para garantir que a história fosse 100% cientificamente precisa.
  • A produção foi filmada em Monastery Beach, perto de Carmel-by-the-Sea, que moradores e mergulhadores apelidaram de “Praia Mortuária” devido às suas poderosas fendas costeiras, fortes correntes e uma queda subaquática íngreme que a torna um dos mergulhos costeiros mais perigosos da Califórnia.

Ficha Técnica:

Elenco:
Austin Abrams
Elisabeth Shue
Josh Brolin
Jane Levy
Emily Rudd
John Ortiz

Direção:
Brian Duffield

História e Roteiro:
Brian Duffield
Daniel Kraus

Produção:
Brian Duffield
Brian Grazer
Allan Mandelbaum
Jeb Brody

Fotografia:
Aaron Morton

Trilha Sonora:
Joseph Trapanese

Avaliações dos usuários

Não há avaliações ainda. Seja o primeiro a escrever uma.

Avalie o filme

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

14 + doze =

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.