Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor (“Practical Magic 2”)

Pensem uma continuação que ninguém pediu, de um filme que não deixou a mínima marca ou memória. O primeiro “Da Magia à Sedução” foi feito em 1998 – sim há 28 anos – quando Sandra Bullock e Nicole Kidman já eram estrelas de Hollywood e estavam caminhando a passos largos para serem as divas que são hoje.

O marketing brasileiro sabia que iria ser complicado ligar essa continuação ao original e não colocaram um numeral, mas um subtítulo “Feitiço de Amor” para que os incautos pensem que é um filme original, enquanto os americanos aderiram ao bom senso, colocando simplesmente “Da Magia à Sedução 2”.

Aliás, nosso marketing brazuca ainda coloca um slogan que parece ter sido saído de uma IA com um prompt ruim: “Todo desejo tem seu feitiço”. É até difícil entender onde essa frase quer chegar.

Bullock e Kidman eram as irmãs bruxas Sally e Gillian Owens e todas as mulheres da família tinham uma maldição: caso elas se apaixonassem por algum homem, este morria logo depois. No final do original elas quebravam a maldição e Sally ficava com seu amado.

E como fazer uma continuação a partir daí? Simplesmente dizer que ela não quebrou a maldição, fazer o amado morrer e pronto. O mais surpreendente dessa continuação é que ela não é de todo mal, pelo contrário, talvez seja até tão boazinha quanto o antecessor mais pelo carisma e entrosamento das personagens e por talvez nem se levar muito a sério.

Também foi baseado no livro que foi continuação da coleção de Alice Hoffman onde as irmãs Owen tem seus 40 e poucos anos (Bullock tem 60 anos e Kidman tem 58 anos) e Sally tem 2 filhas, Kylie e Antonia (Maisie Williams de “Os Novos Mutantes” e Joey King de “Feios”).

Sally esconde das filhas que são bruxas e sobre a maldição, até que Kylie declara seu amor pelo namorado (Xolo Maridueña “Besouro Azul”) e logo depois ele é atropelado e fica à beira da morte. Então Kylie foge para tentar salvar o namorado da maldição, enquanto Sally e Gillian vão atrás e precisam descobrir como acabar com a maldição definitivamente.

O roteiro é uma salada de subtramas, incluindo uma importante e maluca de um descendente homem da família, e essa mistura é atirada na tela de qualquer jeito pela diretora Susanne Bier – que já trabalhou com Bullock em “Birdbox”.

A dupla de protagonistas salva a produção do desastre com sua simpatia e seu jeito meio desastrado de tentar conectar as tramas, que acaba sendo até engraçadinho e preserva a essência do filme anterior, mesmo que ninguém se lembre qual era. Também há uma bela homenagem para as atrizes decanas Dianne Wiest e Stockard Channing que interpretam as tias Jet e Franny.

“Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor” é engraçadinho, mas esquecível, só agregando a presença das nossas divas e nada mais de história.

Ficha Técnica:

Elenco:
Sandra Bullock
Dianne Wiest
Stockard Channing
Ema Cavolli
Nicole Kidman
Maisie Williams
Joey King
Xolo Maridueña
Solly McLeod
Lee Pace

Direção:
Susanne Bier

História e roteiro:
Akiva Goldsman
Georgia Pritchett
Kelly Marcel

Produção:
Sandra Bullock
Denise Di Novi
Nicole Kidman

Fotografia:
Simon Duggan

Trilha Sonora:
Rupert Gregson-Williams

Avaliações dos usuários

Mas será que o primeiro filme não deixou marca?

26/09/2026

Como mulher e fã de Da Magia à Sedução, acho curioso ler que o primeiro filme “não deixou a mínima marca ou memória”. Talvez não tenha deixado em você. Mas, quase 30 anos depois, há um dado difícil de ignorar: Segundo a revista exame. “Homem-Aranha perde liderança , da bilheteria nos EUA para ´Da Magia Sedução´ [18 de setembro, Giulia Polizeli]

Isso não diz se o segundo filme é bom ou ruim — bilheteria não mede qualidade. Mas mostra que existe, sim, um público interessado em reencontrar essa história. Então “ninguém pediu” porquê eu sei que isso é uma impressão pessoal, mas não um fato, porquê acho que você não tem como saber como esse filme foi/é de grande estima pelo público feminino.

E acho que, como mulher, também enxergo no primeiro filme coisas que talvez uma crítica mais distante não considere tão relevantes.

Da Magia à Sedução nunca foi apenas uma comédia romântica sobre duas bruxas. Havia ali mulheres excêntricas, desejantes, poderosas e livres, que podiam amar, mas também podiam escolher não organizar a própria existência em torno do amor.

A própria origem da maldição é reveladora. A ancestral das Owens, depois de viver um amor conturbado e sofrer com ele, criou o feitiço para proteger as mulheres que viriam depois dela. O problema é que essa proteção acabou se transformando em uma prisão: elas herdaram não apenas a magia, mas também o medo de amar.

E é justamente aí que acho o filme interessante. A questão nunca foi simplesmente “amar ou não amar”. Era poder escolher. Poder ser livre, excêntrica, independente — e, se quisesse, também amar.

Talvez Da Magia à Sedução 2 não seja tão bom quanto o primeiro. Ser fã de uma obra não significa achar sua continuação perfeita. Mas reduzir esse retorno a uma nostalgia sem importância também desconsidera o vínculo que essa história criou com uma geração de mulheres.

Eu continuo fã do primeiro filme. E talvez seja justamente por isso que, para mim, ele seja muito mais do que uma comédia romântica nostálgica.

É uma história sobre mulheres tentando descobrir como querem existir — e quem decide isso: elas mesmas ou o destino que herdaram.

Anonymous

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