Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra (“Good Luck, Have Fun, Don’t Die”)

O diretor Gore Verbinski de “A Cura” traz uma alegoria ao estado atual da sociedade com uma crítica ácida aos algoritmos que escravizam a população dentro das redes sociais, através de um tom cômico e quase escrachado.

Sam Rockwell de “Argylle – O Superespião” aparece numa cafeteria dizendo ser do futuro onde a IA dominou o mundo e aprisionou os humanos e ameaçando explodir tudo se algumas pessoas não forem com ele para ajudá-lo a derrotar as máquinas.

De início ninguém acredita, mas com medo da ameaça de bomba ser verdade, um pequeno grupo se junta ao suposto viajante do tempo. A partir daí, o filme segue duas linhas temporais, a atual e outra que vai contando a história de cada um dos personagens do grupo que, ao juntá-las, pode-se revelar a verdadeira ameaça.

A grande sacada do roteiro foi colocar situações absurdas, mas que fossem totalmente correlacionáveis com a realidade, como por exemplo, o fato de adolescentes sutarem quando lhes tiram o celular, ou ainda a idéia de que a realidade “dentro da Internet” é melhor, ou finalmente os gatilhos emocionais que acabam nos prendendo a voltar sempre para o algoritmo – isso, inclusive retratado de forma muito inteligente através da analogia da perda de um filho.

Para equilibrar o tom de crítica, com o desenvolvimento, as gags vão ficando mais literais (o meme do gatinho é sensacional), a história engata com duas reviravoltas bem desenhadas, mesmo que até certo ponto previsíveis.

Ao mesmo tempo, o diretor faz um filme comedido, econômico nos efeitos especiais, mas usados de forma certeira, e também acerta num elenco diverso e peculiar para formar uma interessante química.

Rockwell, já acostumado em usar e veia cômica, faz um protagonista parecido com alguns outros (vide “O Cara Certo” e “Jojo Rabbit”), mas que ainda funcionam muito bem.

O mais interessante de “Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra” é que ele não precisa explicar muito para ser completamente entendido e absorvido, seja no seu tom de crítica ou na sua veia de humor, tornando uma inegável experiência bem diferente e deliciosa para o espectador, que vai dar boas risadas e talvez sair com boas reflexões.

Curiosidades:

  • IA vilã do filme foi escrita deliberadamente para ser um primogênito psicopata emocionalmente carente, em vez de frio e calculista, como a maioria dos vilões da IA (como um reflexo de sua visão de que a IA é usada como um substituto para a conexão e criatividade humanas reais).
  • Há uma personagem que veste uma camiseta para a banda Bad Religion. Gore Verbinski dirigiu vários videoclipes para a banda.
  • A voz do cachorro no final do filme é do diretor Gore Verbinski.

Ficha Técnica

Elenco:

Sam Rockwell

Juno Temple

Haley Lu Richardson

Michael Peña

Zazie Beetz

Asim Chaudhry

Tom Taylor

Georgia Goodman

Artie Wilkinson-Hunt

Riccardo Drayton

Dominique Maher

Direção:

Gore Verbinski

História e Roteiro:

Matthew Robinson

Produção:

Denise Chamian

Robert Kulzer

Oliver Obst

Erwin Stoff

Gore Verbinski

Fotografia:

James Whitaker

Trilha Sonora:

Craig Wood

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