Blue Moon

O cineasta Richard Linklater conseguiu a proeza de emplacar dois filmes no mesmo ano que estão nos circuitos das principais premiações do cinema: o primeiro é o excelente “Nouvelle Vague” e agora “Blue Moon” que tem no ator Ethan Hawke (“O Telefone Preto 2”) um dos principais concorrentes de Wagner Moura na corrida pelo Oscar de melhor ator.

Hawke é Lorenz Hart, um daqueles talentos brilhantes e atormentados que ajudaram a definir a era de ouro do teatro musical americano — mesmo vivendo quase sempre à sombra do próprio sucesso.

Nascido em 1895, em Nova York, Hart ficou mundialmente conhecido como letrista da dupla Rodgers & Hart, ao lado do compositor Richard Rodgers. Juntos, eles criaram algumas das canções mais sofisticadas, irônicas e emocionalmente afiadas da Broadway nas décadas de 1920 e 30, incluindo a chamada Blue Moon, que dá o título ao filme.

Hart tinha uma vida pessoal difícil. Era baixo, alcoólatra, profundamente inseguro e homossexual numa época em que isso precisava ser vivido em silêncio.

O filme se passa numa única noite em um único cenário, o bar preferido de Hart, no início dos anos 40, pouco depois do rompimento com Richard Rodgers, quando este acaba de lançar o sucesso teatral Oklahoma! (com ponto de exclamação) junto a outro compositor.

Com um estilo teatral de cenário único não é tão fácil para o espectador acompanhar durante 100 minutos o protagonista indo, vindo, falando e filosofando, seja com seu melhor amigo barman (Bobby Cannavale de “Meu Filho, Nosso Mundo”), seja com sua paixão platônica Elizabeth (Margaret Qualley de “A Substância”) ou até mesmo se rebaixando para seu ex parceiro Rodgers (Andrew Scott de “De Volta à Ação”).

Obviamente Ethan Hawke carrega o filme nas costas com uma atuação brilhante, além de ter uma ajuda da produção para baixar a sua altura através de vários recursos que não sejam CGI, como colocar o chão onde ele anda mais baixo, angulações de câmera, buracos para esconder as pernas, entre outros.

A essência da história, a qual tem muito êxito, é mostrar a auto degradação e flagelo do protagonista sobre sua condição ao mesmo tempo em que autossabota o que lhe resta de sucesso.

Blue Moon” é uma aula de teatro com diálogos complexos e profundos num nicho um pouco mais seleto em tema, roteiro e direção, e menos comercial, mostrando um Ethan Hawke em sua melhor forma.

Curiosidades:

  • O roteiro já estava pronto há mais de 10 anos, mas o diretor Richard Linklater só queria fazer o filme quando Ethan Hawke atingisse a idade que ele tem hoje (na época das filmagens).
  • Há uma série de coadjuvantes e figurantes que representam grandes compositores da época. Todos eles são nominados nos créditos finais.

Ficha Técnica:

Elenco:
Ethan Hawke
Bobby Cannavale
Andrew Scott
Margaret Qualley
Jonah Lees
Simon Delaney
Giles Surridge
Cillian Sullivan

Direção:
Richard Linklater

História e Roteiro:
Robert Kaplow

Produção:
Mike Blizzard
Richard Linklater
John Sloss

Fotografia:
Shane F. Kelly

Trilha Sonora:
Graham Reynolds

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