Essa produção praticamente não tem diálogos e isso deveria ser o grande destaque – e até pode ser – se não atrapalhasse completamente a compreensão ou a absorção da história.
No início fica escrito que o que vamos ver são anjos caídos na Terra que perderam a capacidade de falar por castigo divino. Eis que entra em cena Samara Weaving (“Casamento Sangrento”) numa floresta com afagos para um homem. Não é preciso mais de poucos minutos para entendermos que eles não se comunicam e, portanto, são anjos caídos.
Então eles são perseguidos por outros anjos, mas tudo muito terreno. Por qual motivo, não se fala. Parece que ela deve ser sacrificada como oferenda para uma criatura da floresta, que ninguém sabe o que é. O motivo? Também não se fala. Ela escapa, mas ela volta. Por quê? Pra que? Ela escapa novamente, mas volta. Eles tentam matá-la e depois tentam enterrá-la viva.
Ela foge e sobrevive como seu personagem de “Casamento Sangrento”. Mas sem nenhum contexto, e assim que o diretor aparentemente quer que o espectador compre a história. Só que não há nenhuma explicação para tudo o que se passa, desde a motivação para que o grupo aparentemente vilão tenha para matar Azrael ( é intuitivo, mas fui conferir na ficha técnica que esse era a personagem de Samara Weaving), ou porque ela se desgarra do grupo, ou porque ela não foge de vez ao invés de voltar sempre.
As tais criaturas “queimadas” que aparecem no filme, hora correm, hora cambaleiam como bêbados de acordo com a conveniência do roteiro que nem liga se o espectador está entendendo.
O que a produção entrega, e até que muito bem, são as cenas de violência explícita com uma boa dose de sangue e tripas para todos os lados, o que talvez seja uma das únicas coisas interessantes.
No último ato o roteiro até ensaia dar algum tipo de esclarecimento, mas queima a largada, perde-se rapidamente e joga um desfecho sem pé nem cabeça só para tentar uma abordagem narrativa de impacto. Mas como impacto sem contexto produz pouco,
“Azrael” fica apenas como um filme esquisito que não se define, não tem premissa nem desenvolvimento e joga no subjetivo qualquer fiapo de trama que teria para oferecer.
Curiosidades:
- Há um único diálogo rapidamente a partir dos 41 minutos de filme quando Azrael entra um ser humano na estrada e ele fala em Esperanto. Por isso não há legendas nem dublagens, pois é feito para o espectador não entender.
- A maquiagem para as criaturas “queimadas” levou de quatro a cinco horas para ser aplicada.
- A música que toca na cena do carro é Run Away da banda International Music System.
Ficha Técnica:
Elenco:
Samara Weaving
Vic Carmen Sonne
Nathan Stewart-Jarrett
Johhan Rosenberg
Eero Milonoff
Sebastian Bull
Rea Lest
Katariina Unt
Direção:
E.L. Katz
História e Roteiro:
Simon Barrett
Produção:
Simon Barrett
Dave Caplan
Dan Kagan
Fotografia:
Mart Taniel
Trilha Sonora:
Tóti Guðnason





