Aventuras nas Alturas (“Propeller: One-Way Night Coach”)

Em 1997, John Travolta escreveu o livro Propeller One-Way Night Coach: A Fable for All Ages. É uma história infantil com forte componente autobiográfico, inspirada na paixão de Travolta pela aviação e em experiências de sua infância. Travolta escreveu o livro originalmente como um presente para sua família, incluindo seu filho Jett.

Agora em 2026, ele lança a adaptação em que o próprio Travolta dirige. Ele colocou quase toda sua família para participar (incluindo ele mesmo numa ponta no final) e ainda um elenco não muito conhecido onde o ator mirim Clark Shotwell é Jeff (em homenagem ao filho Jett) que pela primeira vez pisa num avião com sua mãe (Kelly Eviston-Quinnett) numa longa viagem intercontinental onde vai fazer conexões em outros vôos de diferentes aeronaves na década de 60, conhecida como a era de ouro da aviação.

Esse é um daqueles raríssimos casos de um roteiro que não traz nenhum conflito, o que geralmente é a força motriz da narrativa. Deu muito certo em “Casamento Grego”, mas aqui nem tanto.

Por mais que seja meio engraçadinho o filme todo ser narrado por Travolta como a versão adulta do menino, com aquele constante olhar de descobrimento, praticamente nada acontece que prenda o espectador, por mais que o protagonista mirim tenha um enorme carisma e que o resto do elenco também atue de forma leve, mas diligente. O diretor confundiu ocharme da inocência com ritmo narrativo e deixou a viagem morosa e cansativa.

Há uma passagem no mínimo inusitada do filme – e imagino do livro – quando o narrador (o Jeff adulto) exalta os tipos de cigarro fumados no avião como uma qualidade nostálgica – e haja a indústria de tabaco patrocinando Hollywood.

O que se traduz de “Aventuras nas Alturas” é mesmo uma declaração de amor de Travolta à aviação, que termina de uma forma que pode até emocionar, mas que se arrasta em muitas partes sem que nada demais aconteça, tornando o resultado dispensável.

Curiosidades:

  • Ambas as aeronaves, o Lockheed Constellation e o Boeing 707, apresentados no filme, pertencem a Travolta, porém o Boeing 707 do filme foi feito com CGI.
  • O filme começa com uma citação de Bob Dylan na música You’re a Big Girl Now: “O tempo é um avião a jato, ele se move muito rápido”
  • John Travolta receberia a Palma de Ouro Honorária na estreia do filme no Festival de Cinema de Cannes, mas só soube na hora, o que gerou uma emoção muito grande.
  • A sequência animada de abertura do filme foi especialmente projetada por um artista contemporâneo Josh ‘Shag’ Agle, cujo estilo característico de meados do século foi escolhido para combinar com a estética do filme dos anos 1960.

Ficha Técnica:

Elenco:
Clark Shotwell
Kelly Eviston-Quinnett
Ella Bleu Travolta
Ellen Travolta
Jimmy Marino
Olga Hoffmann
Brian Murphy
John Travolta

Direção:
John Travolta

História e roteiro:
John Travolta

Produção:
Jason Berger
Amy Laslett
John Travolta

Fotografia:
Paul de Lumen

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