Avatar: Fogo e Cinzas (“Avatar: Fire and Ash”)

“Avatar” é a franquia mais incomum do cinema: sucesso de bilheteria em todos os filmes que lançou, teve um impacto cultural próximo de zero, por incrível que pareça.

Seus filmes fazem um estardalhaço, todo mundo vai assistir, mas quando saem dos cinemas, há um silêncio ensurdecedor no ar. Nenhuma voz gritando, dizendo ou sequer sussurrando “Mal posso esperar para ver a próxima parte!”.

O fenômeno é mais fácil de explicar do que se pensa. A franquia é um enorme espetáculo visual com uma história que foi ficando cada vez mais rasa e com menos conexão pessoal. Por sorte ou competência, o visual é tão impactante que consegue fazer valer a experiência.

O primeiro “Avatar” foi basicamente uma reimaginação da história de “Pocahontas” nesse ambiente intergalático fenomenal, e onde houve a maior conexão humana e criação de afinidade com o público, já que os seres humanos interagiam mais diretamente com os Na’vi.

Já no segundo, a conexão humana vai se perdendo, pois como praticamente todos os personagens principais são alienígenas, começa até a ser meio difícil distinguir quem é quem, principalmente quando se chega nos filhos de Jake e Naytiri.

A ação de “O Caminho da Água” é excelente, mas vem com umas subtramas meio místicas que junta com o exílio de uma baleia alienígena (o tal Payakan) que finaliza num confronto sensacional entre os Na’vi e os vilões humanos (os colonizadores).

Fogo e Cinzas” tem praticamente a mesma trama de seu antecessor com o único elemento relevante adicional de que agora os colonizadores capitalistas do mal se juntam a uma nova tribo de Na’vi hostil chamado Povo das Cinzas que tem ódio de todos os “primos” de outras tribos. Fora isso há o fato de que Spider (o único ser humano da “família” e que parece o Tchaca do “Elo Perdido”) passa a respirar sem precisar da máscara o que poderia ser uma grande ameaça se descoberto pelos vilões.

Pelo menos 1 hora das mais de 3 horas de filme giram em torno dessas subtramas que até se conectam com a principal, mas que numa edição mais enxuta seriam dispensáveis.

Aliás, há uma mistura de tramas e personagens parecidos que vai passar batido em muita gente que vai preferir apenas olhar a paisagem – o que não deixa de ser uma boa escolha. Sobra aí a ação dos inúmeros confrontos entre o bem e o mal com visuais incríveis.

Nesse ponto há a extrema competência do diretor James Cameron de sempre desenhar e coreografar as cenas com um CGi realista de forma a fazer o público estar constantemente situado na ação o que o prende e vira o grande trunfo da produção.

O terceiro ato é quase um repeteco inteiro do filme anterior e, mais uma vez, deixa trezentas portas abertas para a próxima continuação – que dizem ir até a quinta parte.

Avatar: Fogo e Cinzas” é como ir pra Dubai sem dinheiro: não tem muita história pra contar, mas o que vale é a vista.

Curiosidades:

  • Este filme acontece exatamente 3 semanas após os eventos de “Avatar – O Caminho da Água” (2022).
  • Stephen Lang alegou que ele e James Cameron frequentemente começava o dia se aquecendo com uma luta de kickboxing.
  • Toda a equipe recebeu uma dieta exclusivamente vegana durante as filmagens. Com esta etapa, James Cameron e os produtores queriam ampliar a mensagem ambiental do filme.
  • Este é o primeiro filme de Avatar não indicado para Melhor Filme no Oscar.
  • Os créditos finais começam com a música Dream As One de Miley Cyrus e é seguido por The Songcord de Zoe Santana.
  • O navio gigante da RDA no final tem o nome ‘Landau’ impresso nele, sem dúvida em homenagem ao produtor Jon Landau, que morreu de câncer durante a produção do filme.

Ficha Técnica:

Elenco:
Sam Worthington
Zoe Saldaña
Sigourney Weaver
Stephen Lang
Oona Chaplin
Kate Winslet
Cliff Curtis
Joel David Moore
Edie Falco
Brendan Cowell
Jemaine Clement
Giovanni Ribisi
David Thewlis
Britain Dalton
Jack Champion

Direção:
James Cameron

História e Roteiro:
James Cameron
Rick Jaffa
Amanda Silver
Josh Friedman
Shane Salerno

Produção:
James Cameron

Fotografia:
Russell Carpenter

Trilha Sonora:
Simon Franglen

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