Sempre é bom quando o cinema brasileiro sai da sua zona de conforto e arrisca uma produção mais universal em tema e em gênero.
Então temos um suspense que se passa numa estação científica na Antártida, onde o time que está lá recebe uma nova cientista, Inês (Marina Ruy Barbosa de “Tremembé”) e que encanta a todos. Logo na primeira noite, ela bebe demais, perde a consciência fora da estação e é estuprada.
Inconsciente na hora, ela não sabe quem fez, e então a subcomandante Elisabeth (Andrea Beltrão de “Salve Geral”) tem que se juntar com as poucas mulheres da estação para descobrir os culpados.
Há uma mensagem intensa e latente sobre a misoginia e machismo e, para isso, o diretor Bruno Safadi desenhou muito bem os personagens masculinos, tirando-os do estereótipo.
Os vilões não são caricatos: ao contrário, são aqueles homens tóxicos que acreditam ter razão em serem assim, desculpam-se, mas logo voltam atrás e são narcisistas.
Nesse ponto, Lázaro Ramos (“Medida Provisória”), está magistral com seu personagem Capitão Vicente, ex-marido da médica Marina (Leandra Leal de “Bingo – O Rei das Manhãs”), o qual abusa constantemente física e psicologicamente ex-parceira.
Inclusive, uma das ideias que funciona do roteiro é que praticamente todo mundo tem um segredo, mesmo que não necessariamente voltado ao crime principal. O arco de história do personagem de Antonio Calloni (“Faroeste Caboclo”), como o comandante Barros, por exemplo, é belo e relevante.
Por incrível que pareça, o principal problema da trama, é justamente o mistério do estupro: o roteiro colocou as pistas e desvios corretos, mas não soube materializar isso no filme, tanto na distribuição dos fatos como no timing.
Alguns suspeitos tem atitudes absurdas como se quisessem chamar o crime para si desnecessariamente; Ainda há a questão das câmeras de segurança que insultam a inteligência do espectador, seja na hora do crime, seja quando deveriam ser usadas para desvendar o culpado.
O desfecho é satisfatório, finaliza bem a mensagem contra a misoginia, mas agrega pouco na construção de tensão.
“Antártida” vale mais pela mensagem do que pela história que fica se perdendo e se achando. Tem personagens que variam de muito bem construídos, até os genéricos e medianos, mas que não deixa de ser um bom caminho para que cada vez mais o cinema brasileiro possa contar histórias universais.
Ficha Técnica:
Elenco:
Marina Ruy Barbosa
Henrique Barreira
Leandra Leal
Andrea Beltrão
Gero Camilo
Lázaro Ramos
Mariana Sena
João Vitor Silva
Antonio Calloni
Tatiana Tibúrcio
Renan Monteiro
Adélio Lima
Direção:
Bruno Safadi
História e roteiro:
Athena Sandrini
Mercedes Tarelli
Produção:
Cleta Elaine Ellington
Cassian Elwes
Graham Phillips
Parker Phillips
Fotografia:
Mauro Pinheiro Jr.





