O novo hype do cinema independente responde por uma sátira / crítica da indústria de filmes de terror slasher impulsionada pelo capitalismo, tudo feito através de metalinguagem. Se parece estranho é porque é mesmo.
Hannah Einbinder que vem arrancando elogios na série “Hacks” é Kris, uma cineasta de cinema queer que por conta da cultura woke conquistou a posição de diretora do reboot do terror “Acampamento Miasma” – que nada mais é do que uma sátira e xerox da franquia “Sexta-Feira 13”.
A genialidade do roteiro começa na absorção da essência da franquia do icônico serial killer Jason, já que toda a identidade visual é idêntica, inclusive as capas, e até, por exemplo, o fato da parte 3 ser em 3D e da parte 5 ser o capítulo final, somente para ter mais inúmeras partes depois.
Kris vai a um chalé isolado para encontrar a reclusa atriz que fez a primeira sobrevivente – ou “final girl” em inglês – do filme original, Billy, interpretada por Gillian Anderson de “Tron – Ares”. O encontro das duas gera um impacto tão grande em Kris, que ela passa a reconsiderar todo o roteiro, enquanto a própria história de terror cria vida tanto na sua mente, quando no universo paralelo que ela desenha, inclusive com um serial killer que usa como máscara uma… tampa de duto de ventilação (!!).
Entre ótimas idéias que parecem pipocar aqui e ali, e uma cena de carnificina em específico que é sensacional, há uma longa construção de diálogos entre as duas protagonistas, Kris e Billy, que nem sempre acerta seja pelo ritmo ou conteúdo.
A diretora Jane Schoenbrun que chegou com muito hype e pouco resultado no também esquisito “Eu Vi o Brilho da TV”, aqui repete muito dos erros de condução, mas trabalha com um roteiro definitivamente melhor, onde o maior problema é a lacuna que conecta as boas idéias, além do fato que o último ato anarquiza qualquer lógica que o espectador estivesse montando entre o que é realidade ou ilusão ou sonho ou realidade paralela ou multiverso, quando aparentemente nem mesmo o roteiro sabe para onde está indo, mas fica jogando na tela piadas já nem tão engraçados e diálogos cujo sentido fica cada vez mais subjetivo.
Já um grande acerto de seu filme anterior que a diretora traz agora é o excelente design de produção que mistura várias técnicas para criar essa realidade distópica junto com a fotografia de seu parceiro Eric Yue.
“Acampamento Miasma” tem umas sacadas geniais e que ficaria excelente se fosse um curta metragem ou até mesmo numa sequência de cortes ou esquetes. Do jeito que está perde muito de seu ritmo divagando por um limbo que nem deveria existir.
Curiosidades:
- A sequência de créditos de abertura foi descrita pela equipe como “um filme bônus dentro do filme” e, na verdade, foi filmada no último dia de produção, após todos os outros cenários e trabalhos de design terem sido concluídos.
- Schoenbrun e sua equipe principal se trancaram em uma sala duas semanas antes do início da produção, desligaram seus telefones e trabalharam juntos em slogans falsos e conceitos de mercadorias, escrevendo material que não estava no roteiro, mas era essencial para que a sequência de créditos de abertura funcionasse.
- Em vez de usar efeitos visuais para as sequências de neve, Schoenbrun insistiu em efeitos práticos de neve, levando a equipe a contratar um supervisor de efeitos especiais conhecido informalmente como o “guru da neve da Colúmbia Britânica”, descrito como alguém apaixonado por criar diferentes tipos de neve nas condições de verão.
- A personagem de Hannah Einbinder aqui tem vários pontos em comum com sua personagem mais famosa (Ava Daniels de “Hacks”), já que ambas são escritoras bissexuais poliamorosas que formam uma parceria criativa com uma mulher mais velha.
- Kris e Billy pronunciam Miasma de forma diferente durante o filme. Billy pronuncia como se lê (Miasma), enquanto Kris pronuncia como “Maiasma” com o ‘i’ no sentido do pronome “eu” em inglês.
- Apesar do principal filme de referência ser “Sexta-Feira 13”, também há ótimas referências de “Halloween”, “A Hora do Pesadelo” e “Carrie – A Estranha”.
Ficha Técnica:
Elenco:
Hannah Einbinder
Gillian Anderson
Jack Haven
Jasmin Savoy Brown
Aren Buchholz
Kevin McDonald
Jordana Summer
Ryan McEwen
Sarah Sherman
Amanda Fix
William Vaughan
Quintessa Swindell
Arthur Conti
Patrick Fischler
Zach Cherry
Hunter Dillon
Direção:
Jane Schoenbrun
História e roteiro:
Jane Schoenbrun
Produção:
Dede Gardner
Jeremy Kleiner
Fotografia:
Eric Yue
Trilha Sonora:
Alex G





