“Os Rapazes da Banda” foi originalmente uma peça teatral off-Broadway, que estreou em abril de 1968 no Theatre 4, que ficava na West 54th Street, entre as avenidas 9 e 10, e funcionou por mais de dois anos. O renascimento de 2018 foi sua primeira vez na Broadway. Da mesma forma que a peça original resultou num filme de 1970, sua reestreia em 2018 instigou Hollywood a fazer um remake em 2020.
No final da década de 60, ser homossexual era motivo de apreensão, pois o preconceito estava forte como nunca. Nesse cenário, um grupo de amigos gays fazem uma festa de aniversário para um deles no apartamento do depressivo Michael (Jim Parsons, o eterno Sheldon de “The Big Band Theory”). Até que um amigo hétero do passado de Michael surge e desperta profundas discussões existenciais.
O roteiro propositalmente coloca num mesmo ambiente pessoas com bagagens de vida completamente diferentes, que resulta em personagens bem heterogêneos: desde o casado que trai a esposa com outro homem que ama de verdade, o cara que é promíscuo e não quer compromisso, o personagem seguro de sua sexualidade, o festeiro e, o caso do protagonista, aquele que odeia ter nascido assim e direciona seus gatilhos emocionais para causa atrito no grupo. É desse atrito quando confrontado com seu amigo (aparentemente) hétero que surge grande parte das discussões do grupo.
Apesar da profundidade, o roteiro esquece a causalidade entre os diálogos e a construção da personalidade de Michael, que deveria ser justamente o motor propulsor da história. Fica parecendo que o personagem atira ofensas para todo lado sem uma motivação em particular, mesmo que se entenda a questão de sua depressão.
Isso acaba sendo um elemento que desmotiva um pouco e torna o filme esquecível logo no dia seguinte, inclusive pelo fato de que, como adaptação de teatro, praticamente tudo acontece num só cenário.
“Os Rapazes de Banda” forma uma boa discussão sobre homossexualidade que, mesmo passado na década de 60, ecoa até os nossos dias, porém como filme pode passar despercebido porque não consegue construir satisfatoriamente a maioria dos personagens mesmo tendo tido todo o tempo do mundo para isso.
Curiosidades:
- Todos os personagens gays do filme são gays de verdade.
- O único casal do filme, são também um casal na “vida real”, Tuc Watkins e Andrew Rannells.
- Dramaturgo Mart Crowley, autor da peça, aparece brevemente no final do bar em uma cena filmada em Julius, um bar e restaurante de Greenwich Village que também foi exibido no filme de 1970.
- Todo o elenco já havia feito a peça na Broadway antes das filmagens.
Ficha Técnica:
Elenco:
Jim Parsons
Zachary Quinto
Matt Bomer
Andrew Rannells
Charlie Carver
Robin de Jesus
Brian Hutchison
Michael Benjamin Washington
Tuc Watkins
Direção:
Joe Mantello
História e Roteiro:
Mart Crowley
Ned Martel
Produção:
Joe Mantello
Ned Martel
Alexis Martin Woodall
Ryan Murphy
David Stone
Fotografia:
Bill Pope
Trilha Sonora:
Adriaan van Zyl





