Bosque Selvagem (“Wildwood”)

A melhor animação do ano – e um dos melhores filmes também – parte de uma premissa muito simples: uma pré-adolescente que tem seu irmão sequestrado por um bando de corvos misteriosos que o leva para uma floresta mágica depois da ponte da cidade. Então a menina Prue com seu amigo Curtis deve entrar nesse mundo encantado e perigoso para resgatar seu irmão, mas também descobrir o motivo do sequestro.

Os estúdios Laika são especialista em animação stop-motion e despontaram com o belíssimo “Coraline e o Mundo Secreto” em 2009, mas esta sua mais nova produção supera a todos em técnica, beleza e história.

As inovações para fazer a movimentação de personagens e ambientes chegaram no ponto de se ter uma maquininha dentro do corpo de cada boneco para simular a sua respiração ou espumas sintéticas transparentes para simular o balançar de tecidos, entre outros.

O que importa é que o resultado é tão preciosista que coloca a sua maneira de materializar essa animação em outro patamar. Isso sem contar o design de produção com paisagens de tirar o fôlego, incluindo cenas de batalhas épicas com muita violência.

Pois é, essa não é uma simples animação para crianças: personagens queridos morrem, alguns de maneira violenta; personagem queridos matam, alguns de maneira violenta. Por mais que o diretor Travis Knight – que dirigiu nada menos que “Mestres do Universo” durante a pós-produção deste filme – se esmere em amenizar as mortes, elas são certeiras e dão o tom sombrio da narrativa que equilibra questões profundas com muito bom humor.

A essência da história é tão poética que talvez demore para o espectador absorver por completo, inclusive após sair docinema, mas sem dar spoilers, podemos resumir numa fundamental questão da maternidade: até onde você iria pelo seu filho ou filha? Há um paralelo entre ações heróicas ou vilanescas que uma mãe pode fazer que sejam justificáveis? Há um entrelaçado entre mães e filhos, irmãos e irmãs, amigos e amigas, tribos diferentes e fala sobre exclusão, preconceito e, claro, conexão, a palavra chave que se revela no final.

Baseado no livro ilustrado de Colin Meloy, “Bosque Selvagem” é uma das melhores e mais emocionantes experiências do cinema em 2026 que sabe fazer uma narrativa com várias camadas unidas pelas jornadas de seus personagens principais. Puro ouro.

Curiosidades:

  • Com 2 horas e 12 minutos, este é o filme de animação stop-motion mais longo de todos os tempos. Também é o filme de stpo-motion mais caro de todos os tempos.
  • O filho do diretor Travis Knight, Arthur Knight dublou Mac (irmãozinho de Prue). Em gaélico escocês e irlandês, Mac significa “filho”.
  • O filme está repleto de pontos turísticos conhecidos de Portland, Oregon, inclusive o as montanhas da caverna de “Os Goonies” (1985) numa cena em que Prue está nas asas de uma grande ave.

Ficha Técnica:

Elenco:
Carey Mulligan
Peyton Elizabeth Lee
Jacob Tremblay
Maya Erskine
Tantoo Cardinal
Marc Evan Jackson
Richard E. Grant
Jake Johnson
Charlie Day
Tom Waits
Len Cariou
Angela Bassett
Awkwafina
Jemaine Clement
Amandla Stenberg
Mahershala Ali
Ólafur Darri Ólafsson
Blythe Danner
Rob Delaney

Direção:
Travis Knight

História e Roteiro:
Chris Butler

Produção:
Travis Knight
Sam Wilson

Fotografia:
Caleb Deschanel

Trilha Sonora:
Dario Marianelli

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