É a continuação direta do excelente “A Rede Social”. O diretor Aaron Sorkin do premiado “Os 7 de Chicago” tentou convencer por 3 dias Jesse Eisenberg para voltar a interpretar o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, mas ele se recusou porque não queria ficar vinculado a um papel que ele considera nocivo. Então o papel foi para o competentíssimo Jeremy Strong, acostumado a interpretar diversos personagens reais como em “Springsteen – Salve-me do Desconhecido” e “O Aprendiz”.
Passado entre 2019 e 2021, ou seja, com uma pandemia no meio, o filme fala sobre o infame escândalo dos “Arquivos do Facebook”, quando veio a tona uma série de reportagens do Wall Street Journal sobre como funciona o mecanismo de polarização nas redes sociais através do algoritmo implantado por Zuckerberg dois anos antes. Matéria que só foi possível por causa do vazamento através de uma funcionária do próprio Facebook, Frances Haugen, interpretada por Mikey Madison, vencedora do Oscar de Melhor Atriz por “Anora”.
Vazamento este que foi confiado ao repórter investigativo Jeff Horwitz – Jeremy Allen White, que volta a trabalhar com Jeremy Strong após “Springsteen – Salve-me do Desconhecido”, apesar de não dividirem nenhuma cena juntos no filme.
A melhor sacada do roteiro está no fato de que o jornalista Jeff não entende absolutamente nada de tecnologia e então Haugen vai explicando didaticamente para ele – e para nós – como o algoritmo funciona, como as pesquisas de engajamento se relacionam com o mecanismo e daí o motivo pelo qual existe a polarização.
Inclusive a introdução, no que eles chamam de primeiro capítulo, mostra como pessoas normais começam a ter comportamentos radicais por causa das redes sociais, onde a sensação de pertencimento pela indignação, repulsa ou ódio é muito maior do que o pertencimento vindo pelas afinidades, isto é, com o algoritmo, é muito mais fácil você se juntar a um grupo que odeia as mesmas coisas que você, do que se junta a um grupo que gosta das mesmas coisas que você. Sim, as redes sociais são as culpadas pelo seu tio maluco do “zap”.
A maneira como o diretor vai e volta no tempo é professoral e ajuda muito a entender a cadeia de eventos. O elenco está correto com destaque para Strong que mais uma vez faz um belíssimo trabalho expondo o lado sombrio de Zuckerberg, e a charmosíssima Betty Gilpin de “Paixão de Escritório” que rouba todas as cenas como a diretora do Wall Street Hournal.
“O Outro Lado das Redes” é obrigatório como arte e como peça fundamental para se entender como as redes sociais mudaram para pior a dinâmica da sociedade mundial de forma avassaladora.
Curiosidades:
- Apesar de Mark Zuckerberg e Frances Haugen ter mais ou menos a mesma idade, Jeremy Strong é mais de 20 anos mais velho que Mikey Madison.
- Para filmar os eventos no Capitólio dos EUA, a produção usou persianas finas, movimentos de câmera fora de velocidade e um efeito de impressão por etapas para diminuir a velocidade das imagens que o público já havia visto extensivamente na mídia, criando uma nova perspectiva visual sobre eventos familiares.
- No filme, Charlie, conselheiro de Zuckerberg, conta a história de um espectador confuso ligando para a Marinha dos EUA para resgatar os náufragos em A Ilha dos Birutas (1964). Na realidade, de acordo com o criador de “A Ilha dos Birutas” Sherwood Schwartz, muitos telespectadores enviaram telegramas para a Guarda Costeira dos EUA (não para a Marinha) exigindo que o governo resgatasse os náufragos, que eles inexplicavelmente acreditavam serem reais e genuinamente perdidos no mar.
Ficha Técnica:
Elenco:
Jeremy Allen White
Mikey Madison
Wunmi Mosaku
Betty Gilpin
Billy Magnussen
Bill Burr
Jeremy Strong
Gbenga Akinnagbe
Nelson Franklin
Joey Brooks
Portia Doubleday
Patrick Fischler
Kelley Pereira
Aidan Laprete
Anna Lambe
Direção:
Aaron Sorkin
História e Roteiro:
Aaron Sorkin
Produção:
Stuart M. Besser
Todd Black
Peter Rice
Aaron Sorkin
Fotografia:
Jeff Cronenweth
Trilha Sonora:
Alexandre Desplat





