Estou começando a desconfiar da capacidade das pessoas de discernir o hype de um material de genuína qualidade.

O estudo de caso em questão é a adaptação da obra da agora milionária autora Colleen Hoover desde que foi descoberta e teve seu livro “É Assim que Acaba” indo parar nas telas de cinema, seguido dos menos destacados “Se Não Fosse Você” e “Uma Segunda Chance”. Todos sendo do gênero romântico, variando entre o bom e o muito bom, o que não deixa de ser algo positivo consolidado ou pelo menos muito promissor.

“Verity” é a primeira adaptação de um suspense da escritura onde temos Dakota Johnson (“Amores a Parte”) como Lowen, uma autora sem sucesso que é convidada por uma editora para dar continuidade a uma saga de suspense escrita pela famosíssima Verity (Anne Hathaway de “O Fim da Rua” em seu milésimo filme do ano).

Lowen descobre que Verity sofreu um acidente não consegue andar, falar ou realizar movimentos voluntários normalmente. Então ela precisa ficar na casa de Verity – que como sempre nos suspenses clichês é isolada – para pegar todas as notações sobre o novo livro, e a única pessoa com quem convive nesse ambiente é o charmosíssimo marido dela Jeremy (Josh Hartnett de “Armadilha”). É quando ela descobre um manuscrito escondido que vai revelar sombrios segredos sobre Verity.

Se alguém lembrou de “A Empregada” com o tema: mulher atraente vai para a casa de um casal fazer um trabalho e descobre segredos sombrios por parte da esposa – pode não ser mera coincidência.

Apesar do design de produção parecer de primeira linha com elenco idem, a direção de Michael Showalter é medíocre. Não é a toa que seu filme mais recente tinha sido o pavoroso “Um Natal Surreal”, pois sua competência nas duas produções é semelhante.

A construção do suspense não tem nenhuma nuance ou sofisticação, sendo tudo jogado na cara do espectador de forma tão rudimentar que faz a narrativa se tornar bastante previsível com algumas reviravoltas sendo descobertas com quase meia hora de antecedência.

Voltando a falar do elenco, pela primeira vez esse ano podemos ver uma Anne Hathaway caricata como se nem ela acreditasse nesse papel, enquanto Dakota Johnson continua com a mesma cara de paisagem de todos os seus trabalhos – inclusive há uma piada interna no filme sobre isso! É nesse ambiente que Josh Hartnett dá um banho sendo de longe o melhor personagem e talvez o único que segure a dualidade que o roteiro pede.

O desfecho faz sentido para quem já comprou o resto da trama ou pelo menos para quem tolerou. Só que o grande problema é que a história em si tem alguns furos monumentais que também se apresentam no livro, como se a autora tivesse preguiça para amarrar algumas pontas que são tão relevantes que se fossem bem pensadas, até inviabilizariam a trama do jeito que ela se apresenta.

“Verity” tem uma premissa frágil que se desenrola numa história que não enxerga o básico de um suspense e faz a gente pensar que precisamos urgente melhorar nosso senso crítico e se desvincular de certos comportamentos de manada.

**SÓ LEIAM A PARTIR DAQUI CASO JÁ TENHAM LIDO O LIVRO OU ASSISTIDO AO FILME**

  • A essência da trama é o primeiro grande erro. Não há um motivo realmente palpável que levasse Verity a escrever um manuscrito condenando a si mesma. É impossível que Jeremy conseguisse ler esse manuscrito em minutos e decidir que sua esposa matou sua filha. Ninguém conseguiria acreditar nisso. Tampouco há um motivo para a) Verity esconder esse manuscrito que foi achado “por muito acaso” por Lowen e b) Escrever uma carta que desmente o manuscrito (sim, isso é sério) e também escondê-la.

Mas uma vez isso sendo comprado ou tolerado pelo espectador, vamos à segunda parte:

  • É inconcebível que o quarto de uma paciente milionária que está totalmente paralisada não tenha uma câmera para monitorar seu estado. Claro que se tivesse, o filme iria durar 5 minutos. E de onde tiraram que bastava Verity querer fingir de paralisada que ela ia enganar todo mundo, inclusive médicos com anos de experiência? Nem vamos entrar na cena em que Lowen fora Verity com uma tarraxa de brinco e ela nem pisca. Detalhe: cientificamente, essa condição dela sem ter nenhuma lesão medular nem existe em nenhum auto médico.

Finalmente a última parte para não chutar muito o cachorro morto:

  • Ainda que fosse viável acreditar na primeira e na segunda parte e que todo mundo da casa fosse otário, para resolver o problema de Verity, bastava ela levantar no meio da noite e matar Jeremy. Como isso nunca passou pela cabeça dela??? Ela querendo bolar planos mirabolantes com direito a carta escondida não pensou na solução mais ridiculamente simples. Realmente é duro de acreditar.

Ficha Técnica:

Elenco:
Anne Hathaway
Dakota Johnson
Josh Hartnett
Brady Wagner
Ismael Cruz Cordova
Irina Dvorovenko
Sienna Kulovitz
K.K. Moggie

Direção:
Michael Showalter

História e roteiro:
Nick Antosca

Produção:
Nick Antosca
Anne Hathaway
Alex Hedlund
Colleen Hoover
Jordana Mollick
Stacey Sher
Michael Showalter

Fotografia:
Jim Frohna

Trilha Sonora:
Volker Bertelmann

Avaliações dos usuários

Não há avaliações ainda. Seja o primeiro a escrever uma.

Avalie o filme

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

12 + 15 =

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.