Numa realidade distópica, os EUA proibiram o sexo antes do casamento e apenas um dia do ano, é permitido transar à vontade. Para quem viu “Uma Noite de Crime”, pode-se dizer que é uma espécie de purge do sexo.
Todo mundo quer tirar a sua casquinha. Menos Allie e Owen. Allie (a deslumbrante Monica Barbaro de “Caminhos do Crime”) gostaria de um relacionamento um pouco mais profundo do que uma noite só de sexo. Owen (o galã e marido da Dua Lipa Callum Turner de “Eternidade”) terminou com a namorada e se divide entre ficar arrasado e querer vingança através de uma transa. Ambos vão se encontrar e a magia – e comédia – acontece.
O filme tem uma pegada meio “Alguém Muito Especial” (1987) que, apesar de não se passar em apenas uma noite como este filme envolve essa descoberta do amor, além de encontros e desencontros com outras pessoas também.
O casal protagonista dá um mega match e não tem como o espectador não torcer para eles. Com o plus de que as situações cômicas são criativas, realmente engraçadas e não parecem caricaturais, além da já citada química avassaladora.
Tinha tudo para ser um filmaço, não fosse por dois motivos: o primeiro é a discussão social que tentaram inserir sobre a mão do Estado controlando as relações amorosas interpessoais. A discussão até é interessante, dá para ver aonde a produção quis chegar com isso, só que ela nunca chega.
Toda vez que ela fala sobre o tema é de maneira superficial como se estivesse apenas triscando na mesma tecla. Pior é no final que praticamente se rendem ao controle governamental.
O segundo ponto foi a força do filme nos dois primeiros atos: o romance, a química e a atração nunca consumada do casal. O diretor Will Gluck, que acertou tudo em “Todos Menos Você”, aqui errou a mão no timing no desfecho, prorrogando um clímax que nunca chega e teve pelo menos 2 ou 3 oportunidades de fechar bonito. Entretanto preferiu esticar a trama com reviravoltas bestas e desnecessárias.
“Só Por Uma Noite” tem protagonistas que se encaixaram perfeitamente em ótimas atuações, com ótimas piadas e só se perde no final, mas ainda assim, é uma boa pedida.
Curiosidades:
- Segundo filme em que Monica Barbaro canta.
- Monica Barbaro tem medo de estar em um palco. Ele adicionou isso no roteiro para o personagem dela.
- Callum Turner é britânico, mas usou um falso sotaque americano neste filme.
- O filme é inspirado nas comédias de John Hughes dos anos 80 (como já disse na resenha) e para isso o diretor escalou Molly Ringwald como mãe de Owen. Ela foi a atroz sensação dos anos 80 e estrelou a comédia romântica de Hughes “A Garota de Rosa-Shocking”.
- As fotos de Glen Powell e Sydney Sweeny que trabalharam com o diretor em seu filme anterior, “Todos Menos Você” podem ser vistas no filme.
Ficha Técnica:
Elenco:
Callum Turner
Monica Barbaro
Maya Hawke
Molly Ringwald
Tyonne Chambers
Grace Dumdaw
Duncan Jui
Frank Pando
Zuleyma Guevara
Akiyo Komatsu
Keizo Kaji
King Princess
Sebastian Quinn
Direção:
Will Gluck
História e roteiro:
Travis Braun
Produção:
Will Gluck
Jacqueline Monetta
Fotografia:
Yaron Orbach
Trilha Sonora:
Este Haim
Christopher Stracey





