Objetos Obscuros (“Oditty”)

O diretor Damian McCarthy conseguiu chegar aos cinemas esse ano com o bom “Hokum – O Pesadelo da Bruxa” por causa do discreto sucesso – principalmente em termos de qualidade – que este seu longa metragem de 2024 teve e que, inclusive, arrisco ser ligeiramente melhor que “Hokum”.

A ainda desconhecida atriz Carolyn Bracken interpreta Darcy, uma médium cega que perdeu a irmã há um ano num misterioso assassinato dentro. Ao visitar o cunhado viúvo, ela leva um artefato sinistro – um boneco de madeira – que diz poder desvendar o que aconteceu por trás da morte da irmã.

O diretor trabalha bastante com montagens e edições para contar a história, que vai e volta no tempo e se desmembra em algumas outras subnarrativas para montar o quebra-cabeças do crime.

A proeza é que, apesar de um filme predominantemente de diálogo e poucos sustos, ele consegue dar dinâmica e surpreender com alguns cortes rápidos e uma trilha sonora bem colocada.

Olha que o elenco nem é tão bom assim. A protagonista entende do ofício, mas o ator que interpreta seu marido, Gwilym Lee de “Aqui” é uma espécie de Benedict Cumberbatch canastrão.

O melhor de tudo, entretanto, é que a história foge da grande maioria dos lugares comuns de filmes do gênero e consegue finalizar com plena satisfação, mesmo com algumas surpresas que o espectador jamais esperaria.

Objetos Obscuros” percebe que não precisa de grandes produções para se contar uma história utilizando de poucos, mas inteligentes recursos, conseguindo alguns bons sustos e muita tensão.

Curiosidades:

  • O diretor é conhecido por colocar títulos esquisitos em seus filmes: “Oddity” é o nome da loja de artigos místicos da protagonista, e significa justamente algo parecido com “coisas esquisitas”. Da forma que “Hokum”, seu filme posterior, faz menção àquelas inscrições irlandesas de bruxaria. Seu primeiro filme de 2020, “Caveat” vem diretamente do latim caveat, que literalmente significa algo como “que ele tome cuidado”, “que ele se acautele” ou, de forma mais natural, “cuidado!” / “esteja atento!”.
  • A um personagem no filme chamado Olin que não tem um olho. Há um curta-metragem intitulado “How Olin Lost His Eye” (2013), que apresenta Olin como personagem central. Assistir a este filme fornece uma visão sobre o arco de seu personagem, que é resolvido aqui. Faz parte da coleção de curtas-metragens de Damian, todos ambientados no mesmo universo.
  • Na loja da médium há um boneco de coelho idêntica ao filme anterior do diretor, “Caveat”. O ator que aparece no início do filme descobrindo um cadáver também foi o protagonista de “Caveat”.
  • O Homem de Madeira foi inspirado no folclore judaico do golem, uma grande figura de argila que pode ser trazida à vida por meio de rituais para cumprir as ordens de seu criador.

Ficha Técnica:

Elenco:
Carolyn Bracken
Gwilym Lee
Steve Wall
Joe Rooney
Tadhg Murphy
Caroline Menton
Johnny French

Direção:
Damian McCarthy

História e roteiro:
Damian McCarthy

Produção:
Katie Holly
Evan Horan
Mette-Marie Kongsved
Laura Tunstall

Fotografia:
Colm Hogan

Trilha Sonora:
Richard G. Mitchell

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