Era para ser fácil fazer uma cinebiografia de um artista da magnitude de Bruce Springsteen.
Para quem até ontem morava em outro planeta, Bruce Springsteen é amplamente reconhecido como um dos maiores nomes da história do rock, construindo ao longo de mais de cinco décadas uma carreira marcada por letras que retratam a vida da classe trabalhadora, apresentações ao vivo lendárias e uma influência que atravessa gerações.
Conhecido como “The Boss”, vendeu mais de 140 milhões de discos em todo o mundo, conquistou dezenas de prêmios, incluindo Grammys e um Oscar, e consolidou clássicos atemporais como “Born to Run” e “Born in the U.S.A.”, além de sucessos como “Dancing in the Dark” e “Thunder Road”, tornando-se um dos artistas mais importantes e respeitados da música popular mundial.
Então fazer um filme sobre a carreira dele, deveria ser um passeio no parque. Mas não para o diretor Scott Cooper de “O Pálido Olho Azul”. Ele escolheu primeiramente tratar de uma época específica da vida do cantor: o ano de 1981 quando descobriu que tinha depressão e compôs seu álbum mais introspectivo, Nebraska, que viria a ser lançado no ano seguinte.
Jeremy Allen White de “Na Ponta dos Dedos” interpreta bem o cantor, o qual também é ajudado pelo seu figurino inconfundível, mas não tem atuação que sobreviva a um roteiro desses. Explico: o cerne da história foi a descoberta da depressão que acometia o artista. Só que não houve nenhum evento trágico ou grande conflito digno de se conta.
Então simplesmente o jeito foi transformar Bruce no cara mais chato do planeta, não querer relacionamento sério – como todo artista jovem – e ficar mimado para que tudo saia do jeito maluco que ele deseja. Ainda colocam uma trama sobre o passado dele com o seu pai que se conecta mais com o próprio arco de vida do que com sua depressão.
Na parte dos coadjuvantes, todos os personagens babam o ovo de Bruce incondicionalmente, deixando nenhum espaço para algum conflito que funcione na narrativa. O destaque vai para Jeremy Strong que depois de uma primorosa atuação em “O Aprendiz”, é o único que consegue entregar uma performance realmente diferenciada como o agente do cantor.
Um ponto importante antes de finalizar: não estamos dizendo que a depressão é irrelevante, muito pelo contrário. Porém, o roteiro não conseguiu traduzir isso em história ou criar uma conexão ou empatia com o público, deixando o protagonista apenas se portar como um artista normal. O que agrega talez seja as sessões de gravação do álbum e como algumas músicas foram escritas, como “Born in the U.S.A.”
“Springsteen: Salve-me do Desconhecido” é cansativo ao ponto de nem conseguir atrair o espectador pela música. Melhor continuar apenas no Spotify.
Curiosidades:
- Jeremy Allen White virou um grande amigo de Bruce Springsteen no decorrer das filmagens e ainda foi presentado com uma das guitarras do cantor.
- O interesse amoroso de Springsteen neste filme, Faye Romano, é um amálgama de vários relacionamentos românticos que Springsteen teve.
- Jeremy Allen White toca gaita e canta durante todo o filme e ainda aprendeu a tocar violão.
- O pai do diretor Scott Cooper morreu um dia antes do início das filmagens. Então, no final da filmagem, sua casa em Palisades foi incendiada.
- Jeremy Allen White usou lentes de contato marrons no filme. Os olhos de White são azuis.
- Nebraska é o álbum favorito de Bruce Springsteen.
- Durante a cena em que a banda está gravando Born in the U.S.A., você pode ver um caderno com o tema Snoopy sentado na frente de Bruce. Este foi o caderno real que Bruce usou ao escrever todo o material para Nebraska e Born in the U.S.A. Bruce mostrou o caderno em um especial da NBC para o 40º aniversário de Nebraska em 2022.
- Jeremy Allen White colocou pequenos elevadores em suas botas para mudar sua marcha.
Ficha Técnica:
Elenco:
Jeremy Allen White
Jeremy Strong
Paul Walter Hauser
Stephen Graham
Odessa Young
David Krumholtz
Gaby Hoffmann
Harrison Sloan Gilbertson
Grace Gummer
Marc Maron
Matthew Pellicano Jr.
Direção:
Scott Cooper
História e Roteiro:
Scott Cooper
Produção:
Scott Cooper
Ellen Goldsmith-Vein
Eric Robinson
Scott Stuber
Fotografia:
Masanobu Takayanagi
Trilha Sonora:
Jeremiah Fraites





