Mesmo que não pareça, o filme começa exatamente de onde o seu antecessor, “A Morte do Demônio – A Ascenção”, acabou. É que “Em Chamas” não traz nenhuma explicação e então o espectador tem que depender de sua memória (se ele já viu os dois primeiros filmes da trilogia) ou então apertar os cintos e curtir a viagem.
Mas vamos fazer uma pausa para esclarecer tudo: em “A Ascenção”, o filme começa pelo fim, já mostrando o caos e os assassinatos tomando conta da cabana na floresta. Quando termina, ele mostra a personagem Jéssica inadvertidamente possuída pelo demônio, indo para essa cabana. Assim, “Em Chamas” começa com Jéssica matando quem faltava da cabana para depois espalhar o terror em outras paragens.
É aí que entram os novos personagens da trama: Souheila Yacoub de “Duna Parte 2” é Alice que acabara de brigar com seu marido agressor. Ele sai com o carro bêbado, atropela Jessica possuída, morre e, no dia seguinte, ocorre o velório com a família. Alice e seus amigos voltam para a velha casa da família, sem saber que o demônio já está infiltrado.
Apesar de ser uma continuação direta da franquia, essa é a primeira história onde personagens e eventos não tem nenhuma conexão direta, com a essência do livro dos mortos. Há sim uma conexão indireta forçadíssima em que o falecido avô do marido da protagonista, dono da casa antiga, era um estudioso do livro dos mortos e possuía um artefato capaz de derrota-los, e daí vai girando a história.
A ação, violência e efeitos especiais são ótimos, sem bem que muitas vezes o diretor Sébastien Vanicek do fraquinho “Infestação”, utiliza cenas violentas apenas para mostrar que sabe fazer sangue.
Enquanto a violência é forte, os personagens são mais fracos, tornando-se um prato cheio para os deadites (o nome que é dado a quem fica possuído).
Mas talvez o principal problema é que, para fazer a roda girar e o terror ser ininterrupto, inclusive abrindo portas para edições futuras, o roteiro abriu mão de algumas regras importantes e acaba que muita coisa que era tido como certa na franquia passou a ser inconveniente e foi retirada sem maiores explicações.
Há duas cenas pós créditos, sendo que a última é, de longe, a melhor, mesmo que seja talvez a maior prova de que o roteiro vai fazer tudo para manter a franquia, mesmo quebrando todas as regras.
“A Morte do Demônio – Em Chamas” tem o mesmo espírito de execução com uma deliciosa violência explícita de seus anteriores, porém com uma história mais enfraquecida que já começa a destoar de todo o cânone estabelecido na franquia. Só não pode virar bagunça.
Curiosidades:
- A cena em que a amiga de Alice, Thya entra em casa possuída é uma homenagem à uma cena igualzinha do primeiro “A Morte do Demônio” de 2013 quando a personagem de Jane Levy, Mia, entra do exato mesmo jeito e inclusive com o mesmo modelo de botas usadas por Thya.
- Um dos motivos pelo qual o espectador talvez não entenda a conexão temporal direta entre “Em Chamas” e “A Ascenção” é que a personagem Jéssica, possuída no final do antecessor e a mesma personagem do início de “Em Chamas” são interpretadas por atrizes diferentes. Aí fic difícil.
- No clímax é possível ver duas armas que Alice precisa escolher e uma é uma motosserra (homenageando a primeira trilogia com Ash).
**(SPOILERS)**
- No final a protagonista Souheila Yacoub acende um cigarro da mesma forma que ocorre em “Casamento Sangrento” com Samara Weaving. Aliás a indústria do tabaco perdeu a vergonha na cara e está colocando o cigarro para heróis e mocinhas de filmes de todos os gêneros em Hollywood. Bom para o bolso deles, péssimo para a saúde mundial.
- A última e principal cena pós crédito não estava no roteiro e foi um pedido da produção, provavelmente para continuar a trama a partir daí.
Ficha Técnica:
Elenco:
Souheila Yacoub
Tandi Wright
Hunter Doohan
Luciane Buchanan
Erroll Shand
Maude Davey
George Pullar
Greta van den Brink
Keanu Karim
Victory Ndukwe
Direção:
Sébastien Vanicek
História e Roteiro:
Sébastien Vanicek
Florent Bernard
Produção:
Sam Raimi
Rob Tapert
Fotografia:
Philip Lozano
Trilha Sonora:
Xavier Caux
Douglas Cavanna
Double Danger





