“Dia D” é um filmaço de Spielberg, só que lançado comuns 30 anos de atraso.
Num olhar em retrospecto poderia ser chamado de uma continuação espiritual de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, de 1977, um dos maiores clássicos de ficção científica do cinema, dirigido pelo mesmo Steven Spielberg.
O diretor toma a acertada decisão de começar já com a história em pleno movimento, onde encontramos Daniel (Josh O’Connor de “Vivo ou Morto – Um Mistério Knives Out”), analista de uma empresa de tecnologia (malvada) que roubou segredos sobre extraterrestres e agora está sendo perseguido por todo o time do (malvado) CEO, Noah (Colin Firth de “Império da Luz”).
Logo em seguida conhecemos Margaret (Emily Blunt de “O Diabo Veste Prada”), uma jornalista que repentinamente passa a desenvolver estranhos poderes e também passa a ser perseguida pela mesma empresa.
O que realmente importa no roteiro é o encantador mistério por trás dos poderes de Margaret e da tecnologia alienígena que se mostra em vários momentos, onde o artefato principal é uma espécie de bastão com poderes quase mágicos e que é o alvo da caçada.
O elenco está comprometido e cada um tem sua relevância bastante equilibrada ao longo da trama, sendo que cada um tem seu propósito ao longo do filme. O destaque dramático ara para Colin Firth, cujo personagem tenta ter uma certa profundidade. Entretanto quem carrega o filme nas costas é Blunt, que consegue mesclar drama e comédia numa atuação profunda e ao mesmo tempo bem-humorada.
A ação é bem filmada, mas comedida, sem o aspecto épico de outrora. Tem ótimos efeitos especiais, principalmente no clímax e um design de produção que não precisou de muito trabalho, já que os cenários são relativamente minimalistas.
A outra estrutura do roteiro é batida, sobre o clichê de uma corporação criminosa que quer as informações e os alienígenas para si (não é spoiler já que está no trailer e é revelado logo no início). Ainda inventaram uma guerra cujo contexto e proporção o espectador nunca sabe exatamente, o que não cria a afinidade emergencial necessária. Finalmente há ainda uma superficial e desnecessária discussão sobre religião que não leva à lugar nenhum.
Quando se junta todos esses elementos, tem-se um filme para o mesmo público de 1977 e, ao exibí-lo em 2026, por melhor que seja, não vai causar o mesmo impacto, talvez fazendo o público sair do cinema com uma recepção morna.
“Dia D” causa uma certa contradição narrativa por usar tecnologia de ponta e produção de primeira para contar uma história onde parte encanta, mas a outra parte é datada. É um ótimo que vai dividir opiniões.
Curiosidades:
- Certo dia, durante as filmagens , Josh O’Connor em dúvida sobre uma cena mais emocional e não tinha certeza de como fazê-la. Naquela noite, ele recebeu uma mensagem de Steven Spielberg dizendo “A porta está na trava, basta empurrar.” O’Connor achou que era um conselho de atuação e, no dia seguinte, foi agradecer a Spielberg pelo conselho, dizendo: “Steven, isso foi inspirado, e é exatamente o que vou fazer nesta cena: a porta está na trava, basta apertar”. Spielberg então disse: “Do que você está falando?” Ele verificou suas mensagens e começou a rir. O que realmente aconteceu foi a esposa de Spielberg, Kate Capshaw, mandou uma mensagem para ele dizendo que ela havia esquecido as chaves da casa e que chegaria tarde em casa. O texto era para ela. Mais tarde, tornou-se uma piada no set.
- Quando Steven Spielberg abordou John Williams para fornecer a trilha sonora, Williams primeiro sugeriu que outros quatro compositores aceitassem o cargo, já que ele havia se aposentado da trilha sonora de filmes. Spielberg insistiu que Williams fizesse a trilha sonora do filme sozinho, e ele finalmente concordou.
- O roteirista David Koepp escreveu quarenta e dois rascunhos do roteiro. Isso é o máximo de sempre em sua carreira de escritor.
- Em preparação para seu papel, a atriz principal Emily Blunt aprendeu durante muitos meses as línguas russa e coreana para poder falar essas duas línguas fluentemente no filme. Além disso, ela colaborou com o diretor Steven Spielberg para criar para o filme um dialeto extraterrestre. Isso apresentava sons de zumbido, cliques e ritmos semelhantes ao Código Morse.
- Mais de 300 telas de LCD/plasma foram usadas na sala de comunicações da sede da WARDEX. A filmagem mostrada neles levou mais de cinco meses para ser criada antes da fotografia principal. O conteúdo das telas foi reproduzido ao vivo durante as filmagens para que o elenco pudesse responder naturalmente às imagens em tempo real.
- O filme é dedicado ao Primeiro Diretor Assistente (também conhecido como 1º A.D.) Adam Somner que trabalhou em quase todos Steven Spielberg filme desde Guerra dos Mundos (2005). Infelizmente, ele faleceu de câncer anaplásico de tireoide enquanto o filme estava em pré-produção. No entanto, ele recebeu o crédito de produtor executivo especial do filme. “Dia D” (2026) é o segundo filme dedicado a Somner depois de “Uma Batalha Após a Outra” (2025).
- O nome da empresa WARDEX é um acrônimo que significa “Waived Reporting, Development, and Extraction”.
- Os cineastas compraram um vagão real de 50 pés e 50.000 libras, especialmente para a sequência de ação carro-locomotiva do filme. O vagão ferroviário foi então modificado pela produção para uso no filme para que um carro pudesse ser fixado em um dos lados. O vagão locomovente veio de um museu de trens no estado americano de Kentucky, nos EUA.
- O nome da personagem principal é Margaret Fairchild. A mãe do roteirista David Koepp se chama Margaret Fairfield.
- O nome do motel em que Jane e Daniel se hospedam é “Inn-Di-Ana”, que é uma referência direta ao famoso personagem cinematográfico “Indiana Jones” de Steven Spielberg.
- Pouco antes de seu sequestro, a jovem Margaret está cantando “Some Day My Prince Will Come” do primeiro filme da Disney “Branca de Neve e os Sete Anões” (1937). “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977) usou “When You Wish Upon a Star” do segundo filme da Disney “Pinóquio” (1940).
Ficha Técnica:
Elenco:
Emily Blunt
Josh O’Connor
Colin Firth
Eve Hewson
Colman Domingo
Wyatt Russell
Henry Lloyd-Hughes
Elizabeth Marvel
Hettienne Park
Tommy Martinez
Gabby Beans
Direção:
Steven Spielberg
História e Roteiro:
David Koepp
Steven Spielberg
Produção:
Kristie Macosko Krieger
Steven Spielberg
Fotografia:
Janusz Kaminski
Trilha Sonora:
John Williams





