O Mandaloriano e Grogu (“The Mandalorian and Grogu”)

Nos últimos anos, entre erros e erros piores da Disney no que se refere à franquia “Star Wars”, a série “O Mandaloriano” foi o grande – se não único – acerto unânime. Mais ainda: foi o primeiro acerto da franquia a se passar fora da linha narrativa central – a que fala sobre Luke Skywalker, Darth Vader, rebelião, nova república e agregados, mesmo com algumas fortes conexões principalmente a partir do fim da segunda temporada.

A sensação da série – bem roteirizada, bem contada e bem produzida – foi o Baby Yoda, que mais tarde descobrimos se chamar Groku. Foi o primeiro personagem fofo da franquia aceito pelo público depois do fracasso dos Ewoks na década de 80 e do odiado Jar Jar Binks da segunda trilogia.

Os criadores da série Jon Favreau e Dave Filoni juntaram a fome com a vontade de comer da Disney por cada vez mais dinheiro e fizeram, digamos, uma quarta temporada de “O Mandaloriano” com pouco mais de 2 horas e para o cinema, carimbando como “O Mandaloriano e Groku”.

A primeira decisão que eles tomaram foi se manter afastado do cânone narrativo, fazendo este um filme “fora” do circuito Star Wars. Da introdução que todos conhecem, a única coisa que sobrou foi a logomarca da Lucasfilm. Texto, fonte e até o fato de os créditos iniciais inteiros aparecerem no início, denota um filme independente de sua “família”. E nem espere nenhum acorde da eterna trilha de John Williams, já que aqui a trilha sonora fica a cargo de Ludwig Göransson, o mesmo da série.

Se na terceira temporada Mando e Groku estavam curtindo uma aposentadoria, no filme já vemos que a mesma acabou e Mando passa a trabalhar para a nova república caçando senhores do crime devotos do Império para prevenir que haja uma nova aliança do mal.

O roteiro é plano e rasteiro no sentido que é a ação que conhecemos em prol de uma missão que também não nos é estranha. É Mando caçando os vilões, se deparando com obstáculos, protegendo Groku, enquanto Groku protege ele. “This is the way”.

Se por um lado a ação é bem coreografada, com ótimos efeitos especiais, por outro não há nenhum momento “WOW” e quase nenhuma conexão com o universo Star Wars que aprendemos a amar, a não ser um ou outro personagem menor ou a citação de algum vilão de segunda. Nenhum dos grandes personagens da franquia é sequer citado.

A ação, como de praxe, é muito bem dirigida e coreografada, com excelentes efeitos especiais, e Pedro Pascal como Mando, dá sua contribuição com o carisma para tentar tirar o aspecto genérico da história e produção.

O maior erro da produção se encontra a partir da metade, quando o foco vai quase todo para Groku e seus amiguinhos mecânicos, o que tira o ótimo equilíbrio que a série dava entre os dois personagens.

O fato dos diretores insistirem na nostalgia de retratar os personagens como bonecos marionetes (tal qual foi Yoda na primeira trilogia) e ainda dar tamanha e desnecessária exposição para eles enfraqueceu o filme tanto como produção, como narrativa, deixando aquele gostinho chato de infantilidade numa fofura fake, justamente onde os Ewoks erraram em “Caravana da Coragem” (1983) e “A Batalha de Endor” (1984).

O Mandaloriano e Groku” é um bom filme de ficção e ação, mas que desaprendeu muito do que a própria série tinha ensinado. Daria uma boa quarta temporada, como já citado.

Curiosidade: o ator que interpreta o eterno C3PO, Anthony Daniels, faz uma participação narrando um comandante de droide.

Ficha Técnica:

Elenco:
Pedro Pascal
Jeremy Allen White
Martin Scorsese
Sigourney Weaver
Steve Blum
Matthew Willig
Paul Sun-Hyung Lee
Hemky Madera
Anthony Daniels
Jonny Coyne

Direção:
Jon Favreau

História e Roteiro:
Jon Favreau
Dave Filoni
Noah Kloor

Produção:
Ian Bryce
Jon Favreau
Kathleen Kennedy

Fotografia:
David Klein

Trilha Sonora:
Ludwig Göransson

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