Undertone

O filme chega com uma promessa de uma abordagem inovadora através daquilo que se pode escutar somente. Por isso o slogan “O filme mais aterrorizante que você vai ouvir esse ano”. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Primeiro, vamos à sinopse: Nina Kiri (“Na Ponta dos Dedos”) é Evy, que faz junto com um amigo à distância um podcast sobre histórias de terror nunca solucionadas. Ela tem uma mãe à beira da morte e usa o podcast como escapismo, mesmo sendo cética em relação ao sobrenatural.

Na gravação de mais um episódio, ela recebe misteriosamente 10 arquivos de som para escutar. O que começa de forma aparentemente inofensiva vai escalando com estranhos acontecimentos em sua casa, que vai desafiar as suas crenças.

O diretor estreante na telona, Ian Tuason, criou um terror que se despe de sustos e foca na construção de uma tensão em um só ambiente (a casa da protagonista) através de jogo de sombras e iluminação, mas principalmente um inteligente artifício de nunca centralizar a câmera na personagem, isto é, o foco da câmera passa a impressão constante de que há alguma presença além de Evy no ambiente, o que deixa o espectador em constante sobressalto.

O som, principalmente dos arquivos de áudio, desempenha um papel crucial, mas não necessariamente é o motor propulsor do medo. Além disso, a história demora um pouco para engrenar e o clímax acumula tudo aquilo o que não teve de desenvolvimento em poucos minutos, provocando uma certa poluição visual e sonora, por mais que o diretor seja bastante competente em seus travellings com a câmera, como na última tomada feita de uma vez só.

O último tropeço é no desfecho em que o roteiro tenta entregar algo subjetivo demais apenas para o público ficar apenas com um som aterrorizante, mas quena bagunça do final, talvez signifique menos que o esperado.

Undertone” tem uma pegada de tensão parecida com “Obsessão”, mas com uma história boa, mas inferior, e um desenvolvimento mais arrastado. Deve dividir opiniões.

Curiosidades:

  • A maioria das teorias e lendas sobre as músicas ditas no filme não existem. Por exemplo, não há evidências arqueológicas de humanos imersos nas fundações da ponte medieval de Londres, tal qual o filme conta.
  • A única lenda que existe mesmo é a de Abyzou, um demônio feminino de abortos e inveja com uma longa história religiosa e folclórica que remonta às religiões da Mesopotâmia e apareceu em muitas religiões e culturas desde então.
  • O microfone de Evy é um ElectroVoice 320 ou EV (Evy) 320.

Ficha Técnica:

Elenco:
Nina Kiri
Adam DiMarco
Michèle Duquet
Keana Lyn Bastidas
Jeff Yung

Direção:
Ian Tuason

História e Roteiro:
Ian Tuason

Produção:
Cody Calahan
Dan Slater

Fotografia:
Graham Beasley

Trilha Sonora:
Shanika Lewis-Waddell

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