A Última Sessão de Freud (“Freud’s Last Session”)

A Última Sessão de Freud” é quase uma fraude. Interpretado pelo competente Anthony Hopkins de “Uma Vida” – e o ator aproveita para dar seus tiques ao psicanalista – Sigmund Freud convida o autor C. S. Lewis (Matthew Goode de “Abigail”), famoso por escrever “As Crônicas de Nárnia” poucos anos depois desse episódio, para uma sessão onde vão discutir sobre suas crenças – Freud é ateu e Lewis católico – e como seu passado influencia em suas convicções.

Acontece que na realidade esse encontro nunca aconteceu. O filme é baseado na peça teatral homônima de Mark St. Germain, que por sua vez é baseada no livro de não ficção “The Question of God”, de Armand Nicholi. O livro também inspirou um documentário de não ficção com esse nome na TV.

O livro e o documentário comparam as vidas e as ideias de Lewis e Freud, mas, ao contrário da peça e deste filme, não postulam um encontro imaginário dos dois homens. A peça se limita simplesmente à conversa deles, enquanto o filme expande a peça mostrando cenas da vida pessoal externa de Lewis e Freud.

De fato o que se sabe é que a última sessão de Freud foi com um catedrático e autor e então houve o rumor que pudesse ser Lewis, mas nunca foi sequer confirmado.

Parece que o diretor Matt Brown do ótimo “O Homem que Vi o Infinito”, não estava satisfeito com apenas essa discussão e atirou para todo lado querendo abraçar a vida de Freud nessa roda de conversa com o escritor, percorrendo inúmeras subtramas, como a da filha lésbica, que por sua vez desemboca numa Síndrome de Estocolmo da filha, passa pela relação de Lewis com a mãe de seu melhor amigo, flerta com a 2ª Guerra Mundial, ou seja, temas pra lá de diversos forçados a participar da mesma narrativa.

O resultado é um filme enfadonho, chato e disperso, onde o espectador não sabe para onde a trama corre, muito menos qual o seu propósito, já que temas diferentes vão correndo desnorteadamente em paralelo, um se sobrepondo ao outro. Nem o talento de ambos de ambos os atores é páreo para essa mistura indigesta que no final não leva a lugar nenhum.

A Última Sessão de Freud” tem uma abordagem totalmente equivocada sobre o que poderia ser uma boa história. E depois só piora.

Curiosidades:

  • Anthony Hopkins já havia retratado C.S. Lewis em “Terra das Sombras” (1993) 30 anos antes desse filme.
  • A valsa, chamada “And the Waltz Goes On”, que é tocada logo antes das cartas finais, foi composta por Anthony Hopkins.
  • Os créditos finais têm textos explicativos do que aconteceu com Lewis e Freud após os eventos deste filme. Eles mencionam que durante a Segunda Guerra Mundial, Lewis abrigou crianças que foram evacuadas de Londres durante os ataques aéreos nazistas. Eles não mencionam que uma delas foi Jill Flewett, que mais tarde se casou com um neto de Sigmund Freud, Clement Freud.
  • Ambos Anthony Hopkins e Matthew Goode na época do lançamento deste filme, eram apenas alguns anos mais velhos do que os personagens que interpretavam. Sigmund Freud e C.S. Lewis, Hopkins sendo 85 contra 83 de Freud, e Goode sendo 45 contra 40 de Lewis.
  • No final do filme, CS Lewis e Anna Freud citam linhas de poesia uma para a outra. As falas vêm de Invictus, de William Ernest Henley.

Ficha Técnica:

Elenco:
Anthony Hopkins
Matthew Goode
Liv Lisa Fries
Jodi Balfour
Jeremy Northam
Orla Brady
Rhys Mannion
Pádraic Delaney
Stephen Campbell Moore

Direção:
Matt Brown

História e Roteiro:
Mark St. Germain
Matt Brown

Produção:
Alan Greisman
Hannah Leader
Tristan Lynch
Robert Stillman
Meg Thomson

Fotografia:
Ben Smithard

Trilha Sonora:
Coby Brown

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