Nuremberg

O Julgamento de Nuremberg foi um marco absoluto não só da história, mas do direito internacional como conhecemos hoje. Foi uma série de tribunais realizados entre 1945 e 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial, na cidade de Nuremberg, na Alemanha. Ali, os Aliados (principalmente Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido e França) julgaram os principais líderes do regime nazista, inclusive o segundo na cadeia de comando de Hitler (que havia se suicidado), Hermann Göring.

Muitas produções já foram feitas sobre essa história como “O Julgamento em Nuremberg” de 1961, “Nuremberg” de 2000, além de inúmeros documentários.

Essa mais nova produção dirigida por James Vanderbilt do excelente “Conspiração e Poder” traça um enfoque real do ponto de vista do psiquiatra Kelley (“Operação Vingança”) encarregado de avaliar os 22 líderes nazistas aguardando julgamento. Sua proximidade de Göring (Russell Crowe de “O Ritual”, finalmente num papel decente), vai fazê-lo chegar tão próximo da natureza do mal que talvez seja um caminho sem volta.

Talvez a grande proeza do diretor foi aliar a trama global da história com o drama pessoal de Kelley, sem que nem um nem outro perdessem relevância e sem que houvesse detalhes esquecidos. Além da trama global e pessoal serem bem contadas e bem correlacionadas, há uma cena tão impressionante durante o julgamento que eleva o patamar do filme, dando um caráter quase documental. Vanderbilt construiu todo com calma e detalhe, não sendo a tua que o filme dura quase 2 horas e meia.

O elenco principal arrebenta e ainda conta com estrelas do calibre de Michael Shannon (“Um Homem Diferente”) e Richard E. Grant (“A Morte de um Unicórnio”) como os dois promotores de justiça pelo lado dos EUA e Inglaterra respectivamente.

No desfecho, a história real é tão chocante quanto se fosse ficção, com uma mensagem que reflete exatamente o tempo em que estamos vivendo com uma acuracidade incrível.

Baseado no livro “O Nazista e o Psiquiatra” de Jack El-Hai, “Nuremberg” é puro cinema, seríssimo em sua abordagem, além de uma aula de história. Recomendadíssimo.

Curiosidades:

  • Grande parte do interrogatório de Robert Jackson (Shanon) sobre Hermann Goring é apresentada textualmente a partir do registro real do julgamento.
  • O verdadeiro Robert Jackson se opôs à pena de morte, uma posição que ele concordou em submeter ao julgamento do tribunal. Além disso, o tribunal deliberadamente escolheu a morte por enforcamento sobre o pelotão de fuzilamento para expressar desprezo pelos réus militares.
  • A declaração de abertura no início da cena do julgamento é uma recitação exata, embora abreviada, da declaração de abertura real dada pelo juiz Robert Jackson em 21 de novembro de 1945, o segundo dia do tribunal militar. Até hoje, especialistas jurídicos o consideram um dos discursos mais influentes no cânone do direito internacional e da jurisprudência criminal.
  • Hermann Göring foi submetido a uma dieta rigorosa por seus carcereiros para que estivesse apto a ser julgado. Ele finalmente perdeu 65 libras (29,5 kg).
  • Apesar de como é retratado no filme, na realidade, Hermann Göring recebeu pelo menos uma visita conhecida de sua esposa, Emmy, durante seu encarceramento antes do julgamento.
  • Embora Hermann Göring fosse fluente em inglês na vida real e conversasse em inglês com seus carcereiros, ele optou por prestar seu depoimento judicial em alemão. Ele e Robert Jackson realizaram um interrogatório por meio de tradução por intérprete transmitida por fones de ouvido.
  • Hermann Göring tinha 53 anos durante seu julgamento, 8 anos mais novo que Russell Crowe, que o interpreta neste filme.
  • Russell Crowe atingiu um peso de 125 quilos durante as filmagens e perdeu 23 quilos após o término das filmagens.
  • A filha de Goring, Edda, continuou apoiando impenitentemente os esforços de guerra de seu pai e morreu aos 80 anos em 2018. Ela está enterrada em um túmulo sem identificação em Munique com a Sra. Goring.
  • Quando Goring sofre seu suposto ataque cardíaco, ele recebe pílulas de aspirina como tratamento de emergência. A aspirina não era comumente usada para problemas cardíacos ou de coagulação até muitos anos após os testes de guerra.
  • Com base nos relatos dos julgamentos de Nuremberg, Rudolf Hess não gritou “Sieg Heil” para Hermann Göring em seu primeiro encontro na prisão. Na verdade, as interações iniciais entre Hess e Göring em Nuremberg foram caracterizadas por um falso não reconhecimento e frieza, em vez de uma saudação nazista entusiasmada.
  • Nenhuma menção é feita ao eczema de Göring. Após seu suicídio, descobriu-se que Göring havia escondido a cápsula de cianeto que ele usou para se suicidar em um frasco com o creme para a pele que ele usou para tratar seu eczema.

Ficha Técnica:

Elenco:
Rami Malek
Russell Crowe
Michael Shannon
Leo Woodall
John Slattery
Richard E. Grant
Mark O’Brien
Colin Hanks
Wrenn Schmidt
Andreas Pietschmann
Lydia Peckham
Lotte Verbeek
Dieter Riesle
Peter Jordan
Tom Keune
Ben Miles

Direção:
James Vanderbilt

História e Roteiro:
James Vanderbilt

Produção:
Bradley J. Fischer
George Freeman
Cherilyn Hawrysh
Richard Saperstein
Frank Smith
James Vanderbilt

Fotografia:
Dariusz Wolski

Trilha Sonora:
Brian Tyler

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