O primeiro “Casamento Sangrento” de 2019 foi uma surpresa positiva tão grande que sequer passou nos cinemas brasileiros para depois todos os estúdios correrem para exibí-lo no streaming. De lá já virou cult.
Era questão de tempo para o roteiro certo aparecer. Então apareceu um meio certo e já foi suficiente para essa continuação que volta a contar com a dupla de diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, que tentaram fazer algo de proporções maiores (e conseguiram), só que mais acessível para todas as idades o que enfraqueceu um dos principais pilares do original.
Passado logo após final do anterior, Grace vai para o hospital e recebe a visita da irmã com quem tem um forte atrito Faith (Kathryn Newton de “Não Vai Dar”). O que ela não sabe é que nesse meio tempo, todas as famílias do clã maldito estão se reunindo para caçá-la. Ela e sua irmã são raptadas e levadas para um resort onde começa um jogo de vida ou morte.
Os personagens são engraçados e cada um é caricato à sua maneira para elevar o nível do humor. Por um lado, temos Elijah Wood que já arrasou no melhor personagem de “O Vingador Tóxico” e aqui dá um show novamente como o advogado do clã, enquanto do outro lado temos o casal de irmãos malignos formados por Sarah Michelle Gellar (“Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado”) e Shawn Hatosy (“Vício Frenético”) que perfazem uma ótima química emocional e tensa. Isso sem contar a participação logo do início do icônico diretor e mestre do terror David Cronemberg!
Chegando nas protagonistas, o roteiro tomou a equivocada decisão de gastar um tempo enorme para que elas discutam a relação. Aliás, gasta-se tanto tempo nisso que há uma cena em que elas parecem ter resolvido a questão e minutos depois elas voltam a discutir a mesmíssima coisa. Se a violência gráfica que, como já disse, foi um dos grandes atrativos do primeiro filme, já foi amenizada, o bate boca das irmãs diminui ainda mais o tempo gasto com a ação, digamos, de verdade.
O desfecho agrada e consegue equilibrar os pontos mais negativos e desnecessários da produção, o que aparentemente não dá margem para continuações.
Então, se “Casamento Sangrento 2” fechar a franquia desse jeito, já é vitória, pois espremeram tudo o que poderiam e nem chegaram na potência máxima da trama. É ver, curtir e passar para próxima.
Curiosidades:
- Samara Weaving sofreu um acidente nas filmagens e passou 2 dias sem andar.
- O roteiro começou como uma história original sobre irmãs, que Bettinelli-Olpin e Gillett adaptaram em uma sequência de “Casamento Sangrento”, a pedido da Searchlight Pictures, apesar do filme estabelecer que Grace não tinha família biológica, o que exigiu a inserção de toda uma história de fundo sobre seu afastamento.
- Kathryn Newton revelou que as algemas (usadas para quando Grace e Faith estão algemadas) eram reais.
- As irmãs protagonistas se chamam Faith e Grade que traduzindo é Fé e Graça.
***SPOILERS – SÓ LEIA APÓS ASSISTIR AO FILME***
- Quando todos os satanistas se curvam à ascensão de Grace ao poder, é a cabra que é a primeira a reconhecê-la e a se curvar diante dela. Foi uma surpresas para todos.
- Os diretores revelaram que Martina Rajan também explodiu, apesar de ter fugido da propriedade antes do terceiro ato. Eles disseram que ela sobreviveu até o amanhecer, mas como seu nome estava no contrato, ela explodiu onde quer que fosse. Eles até consideraram uma cena mostrando seu carro na beira da estrada cheio de sangue e respingos, para confirmar que ela não escapou, com Grace e Faith passando pelo carro acidentado.
- Enquanto Grace se dirige ao lounge onde Faith é capturada, ela começa a cantarolar e cantar, para si mesma, a música do primeiro filme.
Ficha Técnica:
Elenco:
Samara Weaving
Kathryn Newton
Elijah Wood
Sarah Michelle Gellar
Shawn Hatosy
David Cronenberg
Dan Beirne
Antony Hall
Nadeem Umar-Khitab
Masa Lizdek
Kevin Durand
Kara Wooten
Direção:
Matt Bettinelli-Olpin
Tyler Gillett
História e Roteiro:
Guy Busick
R. Christopher Murphy
Matt Bettinelli-Olpin
Tyler Gillett
Produção:
Bradley J. Fischer
William Sherak
James Vanderbilt
Tripp Vinson
Fotografia:
Brett Jutkiewicz
Trilha Sonora:
Sven Faulconer





