Foi a diretora Maggie Gyllenhaal que colocou nos holofotes a mais recente “oscarizada” por “Hamnet”, a atriz Jessie Buckley, quando dirigiu “A Filha Perdida”. Agora elas voltam a trabalhar juntas nesta interessante até certo ponto leitura sobre a noiva de Frankestein.
Gyllenhaal pegou uma miríade de elementos artísticos e narrativos, misturando-os com meta linguagem para compor a história da noiva (Buckley) que nasce do desejo da criatura sem nome (Christian Bale de “Hostis”), que, após deixar Victor Frankestein há décadas, procura outra cientista, a Dra. Euphronious (Annette Bening de “O Cara da Piscina”) para ressuscitar uma mulher para ser sua noiva.
O filme já começa numa referência à própria autora de Frankenstein, Mary Shelley, numa espécie de narração / incorporação / exorcismo que força uma correlação com um espírito emancipado a ocupar o corpo da protagonista, mas nada disso conversa com a história.
Aliás, este é o cerne da problemática do roteiro e direção: todos os elementos e referências que dão uma aura mais artística, referências cinematográficas e mensagens sobre temas polêmicos atuais, não conversa com a história que aos poucos vai tomando um rumo de Bonnie & Clyde, versão monstros.
O elenco está afinado, mas parece não entender qual briga comprar e qual é a sua própria essência dentro da história, limitando-se e se transformarem em uma caricatura que vai se encaixando nas exigências de cada cena, como é o caso do que talvez seja um alívio cômico, na personagem de Penélope Cruz (“Ferrarri”) que faz a fumante inveterada e perspicaz assistente do detetive Jake (Peter Sarsgaard de “Setembro 5” e marido da diretora), que é designado para o caso envolvendo a criatura e a noiva.
Corre pra cá, corre pra lá e a história vai voltando sempre para o mesmo ponto e os personagens vão ficando mais previsíveis e chatos, apesar da diretora sempre ter alguma abordagem visual diferente para jogar na cara do espectador, passando a impressão de que há algo de diferente acontecendo.
“A Noiva!” tem boas cenas, elenco forte, uma razoável dose de ação, mas somando tudo isso, não há diálogo com o público e nem com a própria história, o que resulta em uma experiência visual de conteúdo narrativo duvidoso.
Curiosidades:
- O filme traz referências de vários clássicos de adaptações de Frankenstein, mas também de outros filmes como “O Jovem Frankenstein” (1974) de Mel Brooks, “Metropolis” (1927) de Fritz Lang, entre outros.
- Além de contratar seu marido para o filme, a diretora também contratou seu irmão Jake Gyllenhaal (“Matador de Aluguel”) para o papel de um artista.
- O filho de Christian Bale também faz uma ponta no filme.
- A maquiagem da criatura em Christian Bale demorava cerca de 6 horas para aplicar, enquanto a de Jessie Buckley demorava apenas 90 minutos.
Ficha Técnica:
Elenco:
Jessie Buckley
Christian Bale
Annette Bening
Penélope Cruz
Peter Sarsgaard
Jake Gyllenhaal
John Magaro
Matthew Maher
Jeannie Berlin
Zlatko Buric
Direção:
Maggie Gyllenhaal
História e Roteiro:
Maggie Gyllenhaal
Produção:
Maggie Gyllenhaal
Talia Kleinhendler
Emma Tillinger Koskoff
Fotografia:
Lawrence Sher
Trilha Sonora:
Hildur Guðnadóttir





