O filme mais triste dos indicados ao Oscar – e talvez do ano passado inteiro – é uma mistura de “Hamnet” (sobre perda de quem se ama) com “A Vida de Chuck” (sobre um descritivo de vida através de uma narração).
O filme acompanha Robert (Joel Edgerton de “O Desconhecido”) desde seu nascimento até a maior idade quando encontra o amor de sua vida, Gladys (Felicity Jones de “O Brutalista”). Quando uma tragédia se abate, Robert procura redescobrir o sentido da vida novamente.
Uma das grandes proezas é que geralmente a narração em off distancia o expectador da ação, mas dessa vez e da maneira como ela é abordada, acaba por aproximar e criar a empatia entre o público e o protagonista. Inclusive essa narração antecipa alguns momentos, fazendo o espectador entender o desfecho de determinados arcos narrativos, mas, ainda assim, ficar curioso para saber como tudo aconteceu.
Joel Edgerton apaixona como um homem que ao mesmo tempo é bruto, mas ingênuo e devotado, sempre em busca de um propósito, enquanto o roteiro derrama uma série de situações que vão compor tanto suas lembranças, sonhos e motivações.
Tanto que os tais “Sonhos de Trem” ficam como uma espécie de presságio ou mensagem que pode ou não se concretizar em sua vida. Ao mesmo tempo em que a história trata da perda do protagonista, ela faz um belíssimo vínculo com a perda de tudo o que esse mundo já teve, dando lugar ao novo, como trilhos de trem dando lugar às estradas de asfalto. Assim, a memória do protagonista oscila em torno de várias perdas e o novo aparece como possível resposta à busca da felicidade intangível.
Para completar esse melancólico porta-retrato, temos a sensacional direção de fotografia do já premiado e nosso brasileiríssimo Adolpho Veloso.
Baseado no livro de Dennis Johnson, “Sonhos de Trem” é um drama que, como uma viagem de trem, às vezes é mais importante apreciar o caminho do que chegar no destino.
Curiosidades:
- O ator Will Patton de “Horizonte – Uma Saga Americana” é quem faz a narração do filme. O interessante é que antes do filme ser feito, ele já tinha narrado o audiolivro em 2002.
- Apenas 20% das quedas de árvore foram reais para preservar o ambiente o máximo possível. O resto foi com efeitos práticos e CGI.
- A música Train Dreams foi gravada por Nick Cave exclusivamente para o filme.
- O lago em que Robert se banha numa cena do filme é chamado Lago das Cobras, porém não há cobras na região. Ele foi batizado assim, pois o vento faz uma planta nativa balançar com um som parecido de uma Cascavel.
Ficha Técnica:
Elenco:
Joel Edgerton
Felicity Jones
William H. Macy
Clifton Collins Jr.
Alfred Hsing
John Patrick Lowrie
Paul Schneider
Nathaniel Arcand
John Diehl
Direção:
Clint Bentley
História e Roteiro:
Clint Bentley
Greg Kwedar
Produção:
Michael Heimler
Will Janowitz
Marissa McMahon
Ashley Schlaifer
Teddy Schwarzman
Fotografia:
Adolpho Veloso
Trilha Sonora:
Bryce Dessner





