O filme é baseado na famosa peça homônima de 1891 do aclamado dramaturgo Henrik Ibsen. Hedda Gabler é uma das personagens femininas mais complexas e fascinantes do teatro moderno. A peça, escrita em 1890 e encenada pela primeira vez em 1891, é considerada uma obra-prima do realismo psicológico.
Quem conhece a peça não gostou do filme, já que a adaptação muda drasticamente uma série de elementos inclusive o desfecho que, no teatro, teria uma conotação muito mais condizente com a toda a construção narrativa até ali.
Hedda é interpretada com garra pela charmosíssima e competente Tessa Thompson da franquia “Creed”. Filha de um general já falecido e casada com um pobre professor aristocrata, ela dá uma festa, onde pretende moldar o destino de pessoas mais próximas, incluindo seu antigo interesse amoroso, Eileen (Nina Hoss de “Tár”) que agora está junta da discípula Thea (Imogen Poots de “Caçadora de Gigantes”), a qual Hedda considera uma rival, além de ser concorrente de seu marido na Universidade.
Uma das torcidas do nariz do público é que na peça original, não existe romance lésbico, visto que o personagem de Eileen é masculino e lá há uma grande tensão entre ele e o marido de Hedda.
Mas voltando ao filme, o melhor mesmo está na construção da protagonista: Hedda é quase uma espécie de mal encarnado. Ela é uma mulher que tem tudo, menos aquilo que quer e reflete suas frustrações ao controlar a vida dos outros, principalmente seus entes mais próximos.
O que causa afinidade no público é que todos, em algum momento da vida, já nos deparamos com uma Hedda, aquela pessoa sem caráter e infeliz que tenta a todo custo se aproximar fingindo afeição, só para destruir o próximo.
A diretora Nia DaCosta do recente e razoável “Extermínio – Templo dos Ossos”, cria aqui uma atmosfera perfeita para que intrigas e traições fluam no ambiente, sendo a história inteira passada na mansão de Hedda e marido. Sua dinâmica de câmeras, fotografia e trilha sonora ajudam muito o ritmo da trama, juntamente com a excelente interpretação de Thompson.
A escorregada mesmo está no desfecho que muda completamente a mensagem narrativa e estética da história, além de colocar dúvidas da personalidade da protagonista bem definida até estes últimos momentos.
Não fosse isso, “Hedda” talvez fosse um grande concorrente a prêmios, mas, ainda assim, consegue ser um ótimo estudo de personagem, o qual todos conhecemos muito bem, e ainda com um ritmo ágil, pouco visto em adaptações de teatro.
Curiosidades:
- Outro motivo pelo qual alguns mais puristas reclamaram é que a Hedda seria branca na história original, enquanto no filme ela é negra. Aí tem uma curiosidade: nas escrituras da peça nunca é dita a etnia da protagonista. Como se passa originalmente na noruega, subentende-se que Hedda seria branca. Entretanto, ao transportar a história para os EUA, não há nada contextual ou factual que impedisse outra etnia (lembrando que a arte é algo vivo e mutável, então Hedda poderia ser até verde, se o diretor assim o quisesse).
- Nina Hoss, que faz o interesse amoroso da protagonista, já interpretou Hedda numa adaptação teatral de 2013 em Berlin.
- Tom Bateman (“Morte do Nilo”) que no filme interpreta o marido de Hedda, já interpretou Lovborg, o amante de Hedda numa adaptação teatral de 2008.
Ficha Técnica:
Elenco:
Tessa Thompson
Nina Hoss
Imogen Poots
Nicholas Pinnock
Tom Bateman
Finbar Lynch
Mirren Mack
Jamael Westman
Saffron Hocking
Jack Barry
Kathryn Hunter
Sam Hoare
Stacey Gough
Mark Oosterveen
Direção:
Nia DaCosta
História e Roteiro:
Nia DaCosta
Produção:
Nia DaCosta
Dede Gardner
Jeremy Kleiner
Gabrielle Nadig
Tessa Thompson
Fotografia:
Sean Bobbitt
Trilha Sonora:
Hildur Guðnadóttir





