2025 foi um ano excelente para o cinema, pois o número de filmes ótimos foi bem acima da média. Por outro lado, o número de filmes sensacionais decaiu. Não é necessariamente uma notícia ruim, mas reflete numa maior competição em premiações. Por isso, um desses filmes ótimos, mas não espetaculares, foi o ganhador do Globo de Ouro desse ano.
Em primeiro lugar, é importante dizer que “Hamnet” é uma obra de ficção e adaptação do livro homônimo de Maggie O’Farrell que se apoia em eventos reais. No filme, conhecemos o jovem William Shakespeare (Paul Mescal de “Gladiador II”) que conhece e se enamora com Agnes (Jessie Buckley de “Na Ponta dos Dedos”).
Então a produção acompanha a vida dos dois, principalmente pelo lado de Agnes que tem que cuidar de três filhos em meio às ausências do marido e à peste negra até o momento que ocorre a tragédia de perda de um deles, desestabilizando totalmente o casal.
Apesar de todo o marketing em cima do fato de estarmos falando de Shakespeare, o melhor do filme dirigido por Chloé Zhao (“Os Eternos”) está no que não se vê e, se o espectador não soubesse quem era, só iria saber no último ato, pois o nome de Shakespeare não aparece antes disso. Assim, presenciamos uma bela e triste história de um casal aparentemente comum (mesmo sabendo quem são).
Ainda mais porque a força motriz da história está na performance espetacular de Buckley que também levou o Globo de Ouro estando a anos-luz da maioria das concorrentes, com um espectro de versatilidade que define uma carreira. Destaque também para o elenco mirim que dá um show de carisma.
O último ato tenta com certo êxito relacionar a peça Hamlet com o filho perdido, mais pela abordagem audiovisual do que pela coesão do roteiro.
O importante é que funciona. “Hamnet” mostra a atuação de Jessie Buckley levando o filme nas costas e a singela direção de Chloé Zhao aumentando um patamar do que poderia ser um romance trágico comum.
Curiosidades:
- Não há nenhuma relação registrada entre a peça Hamlet com o filho de Shakespeare, Hamnet. Não há cartas, diários ou registros diretos de Shakespeare ligando explicitamente a peça ao filho, mas é amplamente aceito que a perda do filho pode ter contribuído para a profundidade emocional da peça.
- Os fatos são que Shakespeare se casou com Agnes quanto ele tinha 18 anos e ela 26, tiveram 3 filhos e um deles faleceu, Hamnet aos 11 anos. A peça Hamlet foi apresentada 4 anos após sua morte.
- Na época das filmagens Paul Mescal tinha 28 anos e Jessie Buckley, 34 anos.
- A diretora pediu para Paul Mescal ficar realmente bêbado numa cena em que ele está embriagado. No dia seguinte, segundo Mescal, a ressaca foi braba.
- Paul Mescal e Jessie Buckley estiveram juntos em “A Filha Perdida” de 2021, mas não dividiram cenas juntos.
- O nome da esposa de Shakespeare é geralmente apontado como Anne Hathaway (sim, daí que veio o nome da querida atriz), mas nas certidões de seus pais a grafia presente é Agnes.
- No “flyer” da peça Hamlet, é possível ver o nome dos atores. Todos os sobrenomes são os sobrenomes dos atores reais que aparecem na peça.
- Hamnet é interpretado por Jacobi Jupe, enquanto Hamlet na peça é interpretado por seu irmão mais velho Noah Jupe, também como uma das formas de haver uma conexão visual entre os dois personagens.
Ficha Técnica:
Elenco:
Jessie Buckley
Paul Mescal
Joe Alwyn
Justine Mitchell
Emily Watson
David Wilmot
Freya Hannan-Mills
Dainton Anderson
James Skinner
Louisa Harland
Elliot Baxter
Jacobi Jupe
Olivia Lynes
Bodhi Rae Breathnach
Direção:
Chloé Zhao
História e Roteiro:
Chloé Zhao
Maggie O’Farrell
Produção:
Nicolas Gonda
Pippa Harris
Liza Marshall
Sam Mendes
Steven Spielberg
Fotografia:
Lukasz Zal
Trilha Sonora:
Max Richter





