Frankenstein

Falar da beleza intrínseca dos filmes de Guillermo Del Toro (do mais recente “Pinóquio“) e como aqui ele aproveita esse talento para entregar uma abordagem visual espetacular do clássico de May Shelley é quase chover no molhado.

O grande trunfo da nova versão de “Frankestein” de Del Toro é por tudo que ela não se parece com o original, isto é, é como se ele remodelasse a história para que ela se encaixe com a sua visão de mundo. É praticamente um outro filme com a mesma temática.

Essa modelagem tornou a história deliciosamente mais dramática e com menos terror, o que desperta ainda mais a emoção e o antagonismo entre seus protagonistas, criador e criatura.

Aqui o cientista Victor Frankestein é Oscar Isaac de “O Contador de Cartas” e sua jornada é contada nos detalhes passando pelo derradeiro momento da criação, cujo personagem é interpretado com maestria por Jacob Elordi de “Saltburn”.

O “pulo do gato” do diretor foi aprimorar muito mais a humanização da criatura nos aspectos físicos e psicológicos, mas, ainda assim, sem uma percepção de humanidade perante outros ao seu redor, o que lhe dá um contorno muito mais dramático do que tornar o personagem simplesmente um monstro e repetindo as narrativas já vistas do livro original e em outras adaptações, inclusive na melhor de todas, feitas em 1994 e dirigida por Kenneth Branagh.

Contado sob os pontos de vista do criador e da criatura, o roteiro constrói um romance em que a responsabilidade moral é fragmentada, exatamente porque os pontos de vista também são. Essa estrutura faz com que o espectador nunca tenha uma “verdade absoluta”, perceba contradições, omissões e vieses e questione quem é, de fato, o “monstro”, aspecto bastante explorado também em outras adaptações.

A abordagem visual como sempre é brilhante, seja no cenário do grande navio preso no gelo, seja no mega castelo de Frankestein, ou na fotografia sensacional de Dan Laustsen (“Entre Montanhas”). Para completar essa sinfonia audiovisual, ainda tem o mestre premiado Alexandre Desplat (“Jurassic World – O Recomeço”) que não poupa criatividade e ajuda a contar e potencializar a história.

O melhor de “Frankestein” é que, ao invés de ser uma adaptação, é uma remodelagem própria e independente com a essência da obra original que coloca o espectador em perspectivas pouco exploradas e tão relevantes e belas como todas as outras abordagens. Filmaço.

Curiosidades:

  • Quase todos os sets foram construções reais sem ajuda de efeitos digitais.
  • Elordi estudou fonética japonesa e dança mogol para capturar os maneirismos da criatura.
  • A aplicação da maquiagem em Elordi durava cerca de 10 horas.
  • Mia Goth interpreta o interesse amoroso de Victor e também sua mãe. O papel foi proposital para criar a conexão entre amor, poder e maternidade.
  • Na cena em que a criatura deixa a casa do senhor cego, ele lê o poema Ozymandias que foi escrito por Percy Bysshe Shelley esposo da autora de Frankestein, Mary Shelley.
  • Há uma cena em que Victor é chamado de Prometheus. Isso é uma referência ao título alternativo do romance de Mary Shelley, “O Jovem Prometheus”. Na mitologia grega, Prometheus foi o deus que deu o fogo na mão dos homens.
  • No desenvolvimento do filme, quanto mais a criatura vai adquirindo traços e posturas mais humanas, Victor vai ficando cada vez mais caquético.
  • Toda a parte do interesse amoroso de Victor, Elizabeth, ser a prometida do irmão mais novo, do tio dela ser o mecenas que promove o laboratório não existe no livro original.

Ficha Técnica:

Elenco:
Oscar Isaac
Jacob Elordi
Christoph Waltz
Mia Goth
Felix Kammerer
Charles Dance
David Bradley
Lars Mikkelsen
Christian Convery
Nikolaj Lie Kaas
Sofia Galasso
Joachim Fjelstrup
Ralph Ineson
Peter Millard
Peter MacNeill

Direção:
Guillermo del Toro

História e Roteiro:
Guillermo del Toro

Produção:
J. Miles Dale
Guillermo del Toro
Scott Stuber

Fotografia:
Dan Laustsen

Trilha Sonora:
Alexandre Desplat

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